No seu evangelho, João prolonga aquela noite da última ceia, em que Jesus lavou os pés dos discípulos, viu Judas partir para entrega-lo, num longo e último colóquio com os seus:
“Sabendo Jesus que chegara a hora de passar deste mundo ao Pai, depois de ter amado os seus do mundo, amou-os até o extremo” (Jo 13, 1).
Jesus inicia sua fala, conhecida como oração sacerdotal, tentando afastar aquilo que nos paralisa quando os horizontes se fecham e a realidade parece mais desafiadora do que nossas forças:
“Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também” (Jo 14, 1).
Jesus volta-se então para o Pai e, como se visse o invisível, descortina para os discípulos, o que não podem ver, nem intuir:
“Na casa do meu Pai, há muitas moradas.
Se assim não fosse, eu vos teria dito.
Vou preparar um lugar para vós, e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver, estejais também vós.
E, para onde eu vou, vós conheceis o caminho” (14, 2-4).
Para onde ir? Que caminho trilhar? Que rumo tomar? São as perguntas que nos assaltam nos momentos difíceis e decisivos.
Dois dos discípulos, Tomé e Filipe, encarregam-se de puxar Jesus de volta para os impasses da realidade e colocar-lhe as perguntas e questões que também nós nos fazemos.
Tomé adianta-se, para dizer:
“Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?
Jesus respondeu:
‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida’ (14,6).
Esta afirmação de Jesus de que Ele era o “caminho”, calou fundo no coração e na mente das primeiras comunidades que passaram a se proclamar o ‘Povo do Caminho’.
Esse horizonte foi retomado nos dias de hoje pelas comunidades, em particular pelas CEBs, ao avocarem para si a imagem da “Caminhada”, como expressão do seu propósito e de sua esperança.
Jesus arrematou seu pensamento afirmando:
“Ninguém vai ao Pai, senão por mim. Se vós me conheceis, conheceríeis também o Pai e, desde agora o conheceis e o vistes (14, 5).
É Filipe, então, quem atalha a conversa e pede a Jesus:
“Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta!
Jesus respondeu:
“Há tanto tempo estou convosco e não me conheces, Felipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai?’ Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?’
As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que permanecendo em mim, realiza as suas obras” (14, 9-10).
Para que não nos sintamos desamparados e perdidos em nossa dura caminhada, Jesus prometerá que não nos deixará órfãos, que enviará o seu Espírito para nos acompanhar e consolar. Assegura-nos ainda:
“Se pedis (ao Pai) algo em meu nome, eu o farei” (14, 14).
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