Querido Pe. Zezinho,
Escrevo-lhe estas palavras com o coração agradecido, em nome de tantas pessoas que, ao longo das últimas décadas, tiveram a vida iluminada por sua presença, sua voz, seus escritos e, sobretudo, por seu testemunho de sacerdote apaixonado pelo Evangelho.
Há homens que passam pela história. Há outros que ajudam a escrever a história de uma geração. O senhor pertence a este segundo grupo.
Desde aquele menino nascido em Machado, Minas Gerais, em 1941, que descobriu na simplicidade da família, na fé do povo e no amor à música os primeiros sinais da vocação, até o sacerdote dehoniano ordenado em 1966, sua caminhada foi sendo tecida pelas mãos de Deus com fios de simplicidade, inteligência, criatividade e profunda sensibilidade pastoral.
O senhor fez algo que poucos conseguiram realizar: aproximou a fé da vida cotidiana. Com suas canções, ajudou milhões de pessoas a rezarem, a refletirem e a encontrarem Deus no meio das alegrias e dos desafios da existência. Foi pioneiro ao levar uma nova linguagem para a evangelização, sem perder a profundidade da mensagem cristã. Por meio da música, dos livros, dos programas de rádio, da televisão e das redes de comunicação, fez ecoar a Boa Nova muito além dos templos e das sacristias.
Quantas famílias aprenderam a rezar com suas músicas! Quantos jovens ouviram um chamado vocacional através de suas palavras! Quantos catequistas encontraram em seus escritos inspiração para anunciar Jesus! Quantos corações feridos foram consolados por suas reflexões!
O senhor sempre insistiu que era, antes de tudo, um padre. Um sacerdote que canta porque ama a missão que recebeu de Jesus. Talvez aí esteja um dos segredos da fecundidade de seu ministério: a música nunca foi um fim em si mesma, mas um caminho para conduzir as pessoas ao encontro com Deus.
Ao longo de mais de meio século de sacerdócio e evangelização, o senhor produziu uma obra impressionante: milhares de canções, dezenas de livros, incontáveis pregações, programas e encontros. Entretanto, mais importante do que os números é a marca espiritual deixada em gerações de cristãos.
Pessoalmente, quero agradecer-lhe pela coragem de pensar, dialogar e evangelizar em tempos tão diferentes. Agradecer pela fidelidade à Igreja, pelo amor ao povo simples, pela capacidade de traduzir a fé em palavras compreensíveis e pela disposição de permanecer sempre aprendiz do Evangelho.
Obrigado por nos ensinar que a fé pode ser cantada sem perder sua profundidade.
Obrigado por nos recordar que a catequese pode ser bela sem deixar de ser exigente.
Obrigado por mostrar que a comunicação, quando colocada a serviço do Reino de Deus, torna-se instrumento de comunhão e esperança.
Que o Sagrado Coração de Jesus, espiritualidade que o senhor abraçou na Congregação dos Padres Dehonianos, continue sustentando seus passos. E que Deus lhe conceda a alegria de contemplar os frutos de uma vida inteiramente dedicada ao anúncio do Evangelho.
Receba o carinho, a admiração e a gratidão de tantos amigos e amigas que aprenderam a amar mais a Igreja, a Palavra de Deus e o próprio Cristo por meio de sua vida e de sua missão.
Com profunda amizade e gratidão,
Pe. Hermes A. Fernandes
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