Por Karina Moreti
Quando pensamos nos discípulos de Jesus, quase sempre nos vêm à memória os pescadores da Galileia que abandonaram as redes para segui-lo pelas estradas da Palestina. Recordamos Pedro, André, Tiago, João, Mateus e tantos outros que deixaram para trás o trabalho, a família ou a antiga forma de viver para caminhar ao lado do Mestre. Os Evangelhos, porém, preservam a memória de outros discípulos cuja história foi muito diferente. Não percorreram as aldeias anunciando o Reino, não estavam entre os Doze nem participaram da última ceia. Durante grande parte do ministério público de Jesus permaneceram discretos, quase invisíveis. Apenas quando a cruz parecia anunciar o fracasso definitivo é que sua fé saiu das sombras. Seus nomes eram José de Arimateia e Nicodemos.
A história desses dois homens recorda que Deus não chama todas as pessoas da mesma maneira nem no mesmo tempo. Enquanto alguns respondem prontamente ao primeiro convite, outros percorrem um caminho mais lento, marcado por dúvidas, prudência, conflitos interiores e pelo peso das responsabilidades que carregam. O chamado de Deus, contudo, não deixa de agir por causa da demora humana. A graça continua trabalhando de forma discreta até que o coração encontre coragem para responder.
José de Arimateia e Nicodemos pertenciam ao grupo daqueles que, aos olhos da sociedade, pareciam estar do lado oposto de Jesus. Eram homens instruídos, profundamente conhecedores das Escrituras e integrantes das mais altas instâncias religiosas de Israel. Em um tempo em que a oposição entre Jesus e algumas lideranças de Jerusalém costuma receber maior destaque, os Evangelhos também fazem questão de conservar a memória desses homens que, mesmo inseridos nas estruturas do poder religioso, reconheceram em Jesus a presença de Deus. Suas histórias revelam que o conflito narrado pelos Evangelhos nunca envolveu todo o povo judeu nem todos os seus mestres, mas determinadas lideranças e interesses que se sentiram ameaçados pelo anúncio do Reino.
Talvez um dos maiores ensinamentos desses discípulos seja justamente este: Deus também chama aqueles que vivem dentro das instituições. Nem todos são convidados a abandonar imediatamente sua história. Alguns são chamados a deixar que a luz transforme lentamente suas convicções até que, no momento certo, encontrem audácia para tornar pública a fé que durante muito tempo permaneceu escondida. Em José de Arimateia e Nicodemos descobrimos que, para Deus, nunca é tarde quando um coração decide sair das sombras para caminhar na luz.
Após a morte de Herodes, o Grande (4 a.C.), a Palestina viveu um período de profundas transformações políticas e religiosas. A Judeia passou a ser administrada diretamente por governadores romanos, enquanto o Templo de Jerusalém consolidou-se não apenas como centro da vida religiosa, mas também como espaço de poder político, econômico e jurídico. As famílias sacerdotais mais influentes, especialmente aquelas ligadas ao sumo sacerdócio, mantinham estreitas relações com a administração romana para preservar seus privilégios e garantir uma relativa estabilidade. Nesse contexto, religião e política eram dimensões inseparáveis da vida cotidiana.
Entre as instituições mais importantes daquele período encontrava-se o Sinédrio, o principal conselho judaico de Jerusalém. Composto tradicionalmente por sacerdotes, anciãos e escribas, esse tribunal exercia funções religiosas, jurídicas e administrativas, interpretando a Lei de Moisés e julgando questões que diziam respeito à vida do povo. Embora sua autonomia fosse limitada pela ocupação romana — especialmente no que se referia à aplicação da pena de morte (cf. Jo 18,31) —, sua autoridade moral e religiosa era amplamente reconhecida pelos judeus. Pertencer ao Sinédrio significava ocupar uma das posições de maior prestígio em Israel.
Os Evangelhos frequentemente narram conflitos entre Jesus e algumas lideranças religiosas, sobretudo quando sua pregação colocava em questão interpretações legalistas da Lei ou denunciava práticas que oprimiam os mais pobres. Entretanto, uma leitura atenta mostra que esses conflitos jamais envolveram todos os mestres da Lei, todos os fariseus ou todos os membros do Sinédrio. Generalizações dessa natureza não fazem justiça ao testemunho dos próprios Evangelhos e, ao longo da história, infelizmente, contribuíram para interpretações que alimentaram preconceitos contra o povo judeu. O Novo Testamento preserva a memória de homens profundamente religiosos que reconheceram em Jesus um mestre enviado por Deus, ainda que o tenham seguido com hesitação e discrição.
Entre esses homens destacam-se Nicodemos e José de Arimateia. Ambos pertenciam aos círculos mais respeitados da sociedade judaica. Eram conhecedores das Escrituras, ocupavam posições de destaque e possuíam muito a perder caso fossem identificados como discípulos de um pregador galileu constantemente vigiado pelas autoridades. Ainda assim, deixaram-se inquietar pelas palavras e pelos gestos de Jesus. A fé nasceu em seus corações de forma silenciosa, crescendo pouco a pouco até encontrar firmeza para manifestar-se justamente quando quase todos acreditavam que a história de Jesus havia chegado ao fim.
O primeiro encontro entre Jesus e Nicodemos é narrado exclusivamente pelo Evangelho de João (cf. Jo 3,1-21). O evangelista o apresenta como “um fariseu” e, ao mesmo tempo, “um dos chefes dos judeus” (cf. Jo 3,1), indicando que não se tratava de um homem comum, mas de alguém reconhecido por sua formação religiosa e por sua autoridade entre o povo. Poucos versículos depois, o próprio Jesus o chama de “mestre em Israel” (cf. Jo 3,10), expressão que revela seu profundo conhecimento das Escrituras e sua posição de destaque entre os intérpretes da Lei.
Ao longo dos séculos, a palavra “fariseu” acabou adquirindo um sentido quase sempre negativo, como sinônimo de hipocrisia ou falsa religiosidade. Essa imagem, contudo, não corresponde plenamente ao contexto histórico do século I. Os fariseus constituíam um movimento religioso preocupado em preservar a identidade de Israel por meio da observância da Torá, especialmente em um tempo marcado pela dominação estrangeira e pelas constantes influências culturais do mundo greco-romano. Acreditavam na ressurreição dos mortos, valorizavam a tradição dos antigos e buscavam tornar a santidade acessível à vida cotidiana, não restringindo a experiência religiosa ao espaço do Templo. Embora alguns deles tenham entrado em conflito com Jesus, os Evangelhos mostram que essa relação foi muito mais complexa do que uma simples oposição entre dois grupos.
O próprio Jesus compartilhou com os fariseus algumas convicções fundamentais, como a fé na ressurreição, a autoridade das Escrituras e a esperança na realização das promessas de Deus. As divergências surgiam principalmente quando determinadas interpretações da Lei colocavam o peso das normas acima da dignidade da pessoa humana ou quando a prática religiosa se afastava da misericórdia e da justiça. O conflito, portanto, não era contra o farisaísmo como movimento, mas contra atitudes que obscureciam o verdadeiro sentido da vontade de Deus.
Nicodemos parece ter percebido, desde cedo, que havia algo extraordinário naquele jovem rabi vindo da Galileia. Ao aproximar-se de Jesus, inicia o diálogo com palavras de profundo respeito: “Rabi, sabemos que tu és um Mestre vindo da parte de Deus. Realmente, ninguém pode realizar os sinais que tu fazes, se Deus não está com ele” (Jo 3,2). Essas palavras revelam que sua busca não nasce da hostilidade, mas da admiração. Antes mesmo de compreender plenamente quem era Jesus, Nicodemos já reconhecia que a ação de Deus se manifestava por meio dele.
É significativo que João diga apenas que esse encontro aconteceu “de noite”. Muitas interpretações afirmam que Nicodemos procurou Jesus escondido por medo das autoridades. Embora essa hipótese seja possível, o evangelista nunca a apresenta como explicação. No quarto Evangelho, a noite possui um profundo significado teológico. Ela simboliza a condição daquele que ainda caminha na escuridão da incompreensão, procurando a luz sem ainda conhecê-la plenamente (cf. Jo 1,5; 3,19-21). Nicodemos aproxima-se de Jesus levando consigo perguntas sinceras, mas também os limites de sua formação, suas certezas e sua maneira de compreender a ação de Deus. Sua caminhada de discípulo começa justamente aí: não na plena luz da fé, mas na humilde disposição de buscar respostas.
Talvez seja esse um dos aspectos mais belos de sua vocação. Deus não espera que Nicodemos tenha todas as respostas antes de iniciar o diálogo. O chamado acontece no meio das perguntas, das dúvidas e da escuridão interior. A graça não exige uma compreensão perfeita para começar a agir; basta um coração disposto a procurar a verdade. Antes de transformar sua vida, Jesus acolhe sua busca. Antes de pedir qualquer decisão, convida-o a nascer de novo.
O diálogo daquela noite não produziu uma resposta imediata. Nicodemos desaparece da narrativa por algum tempo, como se as palavras de Jesus continuassem ecoando silenciosamente em seu coração. O quarto Evangelho, porém, faz questão de mostrar que a semente lançada naquela conversa não permaneceu estéril.
A segunda aparição de Nicodemos acontece durante a Festa das Tendas, quando as autoridades discutem a possibilidade de prender Jesus (cf. Jo 7,45-52). Enquanto muitos já haviam formado um julgamento precipitado, Nicodemos levanta uma questão simples, mas profundamente justa: “Será que a nossa Lei julga alguém antes de ouvir e saber o que ele faz?” (Jo 7,51). Não se trata ainda de uma profissão pública de fé. Ele continua prudente, talvez ainda dividido entre sua posição no Sinédrio e a crescente admiração pelo Mestre. Mesmo assim, já não consegue permanecer indiferente diante da injustiça. Aquele que havia chegado envolvido pela noite começa, lentamente, a caminhar em direção à luz.
O momento decisivo, porém, acontece quando quase todos acreditavam que a história de Jesus havia chegado ao fim. Depois da crucifixão, quando os discípulos estavam dispersos e o medo dominava Jerusalém, dois homens saem das sombras. José de Arimateia aparece apenas na narrativa da paixão, mas os evangelistas fazem questão de apresentar quem ele era antes de narrar seu gesto. Lucas afirma que era um homem bom e justo e que não concordara com a decisão tomada pelo Sinédrio contra Jesus (cf. Lc 23,50-51). Marcos acrescenta que esperava o Reino de Deus (cf. Mc 15,43), enquanto Mateus o chama simplesmente de discípulo de Jesus (cf. Mt 27,57). João revela que permanecera discípulo em segredo por medo das autoridades (cf. Jo 19,38). Reunidas, essas descrições mostram que José não surgiu repentinamente aos pés da cruz. Sua fidelidade já vinha amadurecendo discretamente muito antes daquele entardecer.
Chegado o momento decisivo, dirigiu-se corajosamente a Pilatos para pedir o corpo de Jesus (cf. Mc 15,43; Mt 27,58; Lc 23,52; Jo 19,38). Era um gesto arriscado. Solicitar o corpo de alguém condenado sob a acusação de ser um subversivo significava identificar-se publicamente com ele, assumindo as possíveis consequências sociais, políticas e religiosas dessa decisão.
João acrescenta um detalhe de extraordinária beleza. Nicodemos aproxima-se trazendo cerca de cem libras de uma mistura de mirra e aloés para preparar o sepultamento de Jesus (cf. Jo 19,39). Tratava-se de uma quantidade incomum de perfumes, digna das honras prestadas a um rei. Aquele homem que havia procurado Jesus na escuridão da noite agora já não teme ser visto. Sua fé, amadurecida lentamente ao longo da narrativa, manifesta-se finalmente diante da cruz.
É impossível não perceber a delicada ironia construída pelo quarto Evangelho. O discípulo que entrou na história durante a noite torna-se discípulo justamente quando o sol se põe sobre o Gólgota. Aquele que procurou Jesus na escuridão termina sua caminhada permanecendo junto dele quando a escuridão cobre toda a terra. O entardecer da morte de Jesus transforma-se no amanhecer da fé de Nicodemos. João parece sugerir que existem pessoas cuja resposta ao chamado de Deus floresce no tempo oportuno, como a luz que vence a escuridão pouco a pouco até preencher todo o horizonte.
José de Arimateia também realiza seu gesto mais importante quando tudo parecia perdido. Os Evangelhos o apresentam como um homem bom e justo (cf. Lc 23,50), que esperava o Reino de Deus (cf. Mc 15,43) e que não concordara com a decisão tomada contra Jesus (cf. Lc 23,51). O Evangelho acrescenta que era discípulo de Jesus, embora permanecesse oculto por medo das autoridades (cf. Jo 19,38). Durante o ministério público do Mestre, sua fé permaneceu no íntimo do coração. Diante da cruz, porém, o silêncio transforma-se em determinação. Aquele que vivera o discipulado discretamente torna-se o responsável por oferecer ao Crucificado um sepultamento digno.
Talvez seja essa a grande surpresa do Evangelho. Enquanto alguns dos discípulos mais próximos fugiram assustados, homens que durante muito tempo permaneceram escondidos encontraram coragem justamente na hora mais sombria. A cruz reorganiza os lugares da fidelidade. Ela revela que Deus continua trabalhando nos corações mesmo quando ninguém percebe, fazendo amadurecer vocações discretamente, até que floresçam no tempo oportuno.
Esses dois discípulos ensinam que nunca é tarde para responder ao chamado de Deus. O Reino não pertence apenas aos que caminharam desde o amanhecer. Também acolhe aqueles que chegaram ao entardecer, trazendo consigo a maturidade de uma fé que venceu o medo. Quando o mundo enxergava apenas o silêncio de um túmulo, José de Arimateia e Nicodemos reconheceram naquele corpo ferido o Senhor da Vida. E foi justamente ali, aos pés da cruz, que descobriram a beleza de um discipulado que já não precisava esconder-se.
A história de José de Arimateia e Nicodemos convida-nos a rever a maneira como costumamos compreender o discipulado. Com frequência admiramos aqueles que deixam tudo imediatamente para seguir Jesus, como Pedro, André, Tiago, João ou Levi. Os Evangelhos, porém, também conservam a memória daqueles cuja resposta foi silenciosa, lenta e amadurecida pelo tempo. Nem toda vocação nasce às margens do lago da Galileia. Algumas florescem nos corredores do Sinédrio, no peso das responsabilidades, nas inquietações da consciência e nas longas noites de quem procura sinceramente a verdade.
Talvez Nicodemos jamais tenha imaginado que aquele encontro noturno transformaria toda a sua existência. Aproximou-se de Jesus como um mestre desejoso de compreender outro mestre. Saiu daquele diálogo carregando perguntas maiores do que as respostas que possuía. O novo nascimento anunciado por Jesus não aconteceu de uma só vez. A Palavra foi penetrando sua inteligência, iluminando sua consciência e moldando seu coração. Deus não apressou esse processo. A graça respeitou o tempo de um homem habituado a pensar, estudar, discernir e buscar.
José de Arimateia percorreu caminho semelhante. Durante muito tempo permaneceu discípulo oculto. O Evangelho não o acusa por isso; apenas descreve sua realidade. Também ele precisou vencer o medo, as consequências sociais de sua escolha e o peso da posição que ocupava. Quando chegou a hora decisiva, encontrou ousadia para fazer aquilo que muitos julgavam impossível: identificar-se publicamente com o Crucificado quando quase todos já o haviam abandonado.
Existe uma beleza discreta nessas duas vocações. Ambos compreenderam que seguir Jesus não consiste apenas em caminhar ao seu lado durante os dias de sucesso, quando as multidões o aclamam e os milagres despertam admiração. O verdadeiro discipulado manifesta-se sobretudo quando permanecer ao lado do Mestre exige determinação, fidelidade e disposição para perder prestígio, segurança e reconhecimento. José de Arimateia e Nicodemos aproximaram-se de Jesus quando seu corpo já não realizava milagres, quando sua voz havia silenciado e quando sua morte parecia representar o triunfo definitivo do fracasso. Foi precisamente naquele momento que sua fé tornou-se visível.
Essa atitude lança uma luz nova sobre o próprio mistério da cruz. Enquanto muitos enxergavam apenas um condenado executado pelo Império Romano, aqueles dois homens reconheceram no Crucificado a dignidade do Filho de Deus. Ao providenciarem um sepultamento digno, com os perfumes e o túmulo novo, professaram silenciosamente a fé que durante tanto tempo permanecera escondida. Não precisaram de discursos. Suas decisões falaram por eles.
Talvez seja essa uma das maiores lições que Deus nos oferece por meio dessas duas histórias. Nem todos chegam ao Reino pelo mesmo caminho. Alguns respondem imediatamente ao chamado; outros necessitam de anos para compreender o que Deus está realizando em sua vida. Existem discípulos do amanhecer e discípulos do entardecer. Uns iniciam cedo sua caminhada; outros apenas no cair da tarde encontram ousadia para tornar pública a fé que durante muito tempo permaneceu escondida. Em todos eles, porém, é o mesmo Deus quem trabalha pacientemente, conduzindo a história humana com infinita delicadeza.
A vida de José de Arimateia e Nicodemos recorda-nos que Deus nunca desperdiça uma busca sincera. Nenhuma pergunta feita com honestidade é inútil diante do Senhor. Nenhuma demora impede a ação da graça. Nenhuma noite é longa demais para quem se deixa alcançar pela luz de Cristo. O Deus revelado em Jesus continua chamando homens e mulheres em todos os tempos, em todas as condições e em todas as etapas da existência. Seu chamado não conhece horários. Há vocações que nascem ao amanhecer, outras ao meio-dia, e algumas florescem justamente quando o sol parece desaparecer no horizonte.
Por isso, a história desses dois discípulos termina tornando-se também a nossa. Todos nós carregamos medos, hesitações, responsabilidades e perguntas que, muitas vezes, retardam nossos passos. Ainda assim, Cristo continua vindo ao nosso encontro. Ele não despreza os que caminham lentamente nem abandona aqueles cuja fé amadurece no silêncio. O Senhor permanece chamando, esperando e iluminando, até que cada coração descubra que nunca é tarde para sair das sombras e permanecer, finalmente, ao lado da Luz do mundo (cf. Jo 8,12). Afinal, Deus continua nos chamando a partir da história — inclusive daquela que ainda está sendo escrita.

Karina Moreti: é bacharel em Teologia pela Universidade Católica Dom Bosco (2022) e em Comunicação Social – Jornalismo, pelo Centro Universitário Sagrado Coração (2007). Atualmente é jornalista do Blog Eclesialidade & Missão, e assessora movimentos eclesiais. Tem experiência na área de jornalismo impresso, jornalismo televisivo, jornalismo radiofônico e em jornalismo nas redes sociais e blogs. Em teologia, dedica-se ao estudo das Sagradas Escrituras.
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