A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre a forma de seguimento que nos é proposta. Seria uma rigidez de conduta com obrigações enormes e difíceis e serem seguidas ou seria o oposto? Numa época onde muitos pregam uma rigidez doutrinária e um apego desmedido a tradições vãs a resposta pode ser surpreendente.
Na primeira leitura, Zacarias nos fala do momento da chegada do Messias em Jerusalém, porém essa profecia parece estranha para muitas pessoas até os dias de hoje. A ideia de um Mestre humilde e pacífico contradiz muitos modelos de crença, que dominam e oprimem.
Na segunda leitura, Paulo nos chama a viver segundo o Espírito e não a carne, mas o que significa isto? Devemos ter cuidado para não cair numa leitura literal que afasta o contexto histórico de exploração e opressão que viviam os romanos e o Povo de Deus, pois esta escolha distorce a fala do autor e a mensagem de libertação de Jesus.
No Evangelho, Jesus afirma verdades que subvertem o discurso e os grupos daquela época, que existem até hoje: Deus escolhe se revelar aos pequeninos e seu “jugo é suave e o meu fardo é leve”. Precisamos entender que jugo é como nos relacionamos com Deus e com os irmãos, segundo a Palavra de Jesus e fardo são as consequências concretas do jugo. Ao entender esta diferença faz sentido que o Messias seja simples, humilde, se revele aos humildes e fica claro o que significa viver segundo o Espírito. Eu sei que escolher tomar o jugo de Jesus pode não ser o projeto de poder de muitas pessoas, mas é o caminho que precisamos seguir.
Quanto a nós, vamos sair no mundo seguindo juntos sob o jugo suave, cuidando da vida e promovendo a dignidade – começando pelas periferias sociais e existenciais –. Nosso fardo nos chama ao diálogo amoroso para construirmos a justiça e a paz na sociedade e caminharmos juntos até chegarmos na terra sem males.
A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.
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