A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre a natureza e a necessidade de perdoar numa sociedade que prega o ódio e a vingança, onde se ouve cada vez mais as vozes da guerra e que a busca pela riqueza é mais importante do que a vida. Isto pode parecer uma utopia, mas gosto de pensar nas palavras de Paulo VI, que afirma que o surgimento da igreja inaugurou a civilização do amor e da paz e eu digo que o perdão é o caminho para ela.
Na primeira leitura, somos chamados a pensar sobre o rancor, a raiva e a vingança. Sentimentos muito comuns nos dias de hoje e que muitos consideram a base para uma sociedade, mas já na antiga Aliança essa não era a conduta querida por Deus. O texto deixa claro que nossa relação com as pessoas deve ser o espelho de como queremos que seja a relação do Pai conosco, que há uma forte associação entre o perdão, a oração e a misericórdia. A nova civilização precisa do diálogo amoroso e a violência não pode ser a última palavra.
Na segunda leitura, Paulo nos lembra: “Ninguém dentre nós vive para si mesmo”. A nova Aliança rejeita uma vivência de Fé individualista. Uma sociedade onde cada um busca o melhor para si não agrada a Deus e não terá a paz, pois neste caso a riqueza e o sucesso são mais importantes que a dignidade e a vida e é preciso lembrar que a paz é fruto da justiça e o perdão é o caminho do amor. A nova civilização precisa da fraternidade social.
No Evangelho, Jesus nos propõe um grande desafio pessoal que é o perdão sem limites ou condições, mas Ele nos chama a um desafio ainda maior: criar uma sociedade onde a dignidade e a vida estejam acima do lucro e da riqueza. Isto nos dias de hoje são dois desafios que parecem invencíveis, mas tenho a certeza que com o perdão e a justiça nós vamos alcançar este êxito.
Quanto a nós, vamos a sair no mundo para proteger e vida e promover a dignidade humana — principalmente a das periferias sociais e existenciais —, promover a paz e a justiça, viver o perdão e a inclusão radical nessa difícil caminhada até a terra sem males.
A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica
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