Por Pe. Hermes A. Fernandes
Introdução: quando a libertação é acusada de heresia
Poucas expressões teológicas provocaram tantos debates na Igreja contemporânea quanto a “Teologia da Libertação”. Para alguns, ela teria sido uma espécie de infiltração marxista no cristianismo; para outros, uma leitura nova e necessária do Evangelho a partir da realidade dos pobres, dos excluídos e daqueles que sofrem. Entre essas posições extremas, é necessário recuperar a verdade histórica e teológica.
A Teologia da Libertação não surgiu do nada. Ela nasceu dentro da longa caminhada da Igreja, especialmente na América Latina, quando cristãos, comunidades, ministros ordenados e teólogos começaram a perguntar com maior radicalidade: o que significa anunciar o Evangelho de Jesus Cristo em um continente marcado pela pobreza, pela desigualdade, pela concentração da terra e renda, pela exclusão social e pela violência contra os pobres?
A resposta não foi inventada fora da fé cristã. Ela foi buscada no coração da própria Revelação.
O Evangelho de Jesus Cristo anuncia que Deus é Pai e que todos os seres humanos são irmãos e irmãs. Amar a Deus significa necessariamente amar o próximo. A Primeira Carta de João é contundente: quem diz amar a Deus, a quem não vê, mas não ama o irmão ou a irmã que vê, vive uma contradição fundamental da fé (cf. 1Jo 4,20).
Por isso, a pergunta pela libertação dos pobres não é uma pergunta estranha ao cristianismo. Ela pertence à própria lógica da fé bíblica.
1. A libertação começa no coração da Bíblia
Muito antes de existir qualquer teoria política ou econômica moderna, a Bíblia já apresentava Deus como aquele que escuta o clamor dos que sofrem.
O livro do Êxodo constitui uma das experiências fundantes da fé de Israel. Deus vê a opressão do seu povo, ouve o seu clamor, conhece os seus sofrimentos e desce para libertá-lo (cf. Ex 3,7-8). O Deus bíblico não é indiferente diante da injustiça. Ele não permanece distante diante da escravidão.
Moisés é chamado justamente porque Deus ouviu o grito dos oprimidos. Essa experiência atravessa toda a Escritura.
Os profetas denunciam os que acumulam riquezas enquanto os pobres são esmagados. Amós denuncia aqueles que vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sandálias (Am 2,6). Isaías proclama que o verdadeiro culto a Deus não pode ser separado da justiça (Is 58). Jeremias denuncia os que constroem sua riqueza sobre a exploração dos pobres. Miqueias resume a vontade de Deus na prática da justiça, no amor e na humildade diante dele (Mq 6,8).
A tradição profética demonstra, portanto, que Deus não pode ser separado da defesa da vida.
É justamente nesse horizonte que Tobias apresenta uma das exortações mais significativas da espiritualidade bíblica: “Não desvies o teu olhar do pobre” (Tb 4,7). Não se trata simplesmente de uma recomendação assistencialista. O olhar dirigido ao pobre é parte da relação com Deus.
Olhar para o pobre significa reconhecer nele uma pessoa cuja dignidade procede do próprio Deus.
2. Rute, Tobias e Ester: Deus também se revela na vulnerabilidade
É significativo que essa preferência divina pelos vulneráveis não esteja presente somente nos grandes livros proféticos.
O livro de Rute apresenta uma mulher estrangeira, viúva e socialmente vulnerável. Rute pertence à categoria daqueles que, na sociedade antiga, encontravam-se em situação de enorme fragilidade. Entretanto, sua história revela que Deus atua justamente através daqueles que os sistemas sociais tendem a considerar insignificantes.
A Lei de Israel estabelecia mecanismos para garantir a sobrevivência dos pobres, das viúvas, dos órfãos e dos estrangeiros. A prática da respiga, por exemplo, recordava aos proprietários que a terra não poderia ser transformada em instrumento absoluto de acumulação (Lv 19,9-10; Dt 24,19-22).
Rute encontra proteção precisamente nesse horizonte.
O livro de Ester, por sua vez, apresenta a ameaça contra um povo vulnerável e a coragem necessária para enfrentar uma estrutura de poder capaz de produzir morte. Ester não permanece indiferente diante da ameaça que pesa sobre seu povo. Sua posição privilegiada transforma-se em responsabilidade.
Tobias, Rute e Ester, cada qual à sua maneira, testemunham uma verdade fundamental: a fé bíblica não permite que o sofrimento humano seja considerado um problema alheio à relação com Deus.
3. Jesus assume a tradição dos pobres e a leva à sua plenitude
Quando chegamos ao Novo Testamento, essa tradição não desaparece. Ela encontra em Jesus sua expressão definitiva.
Na sinagoga de Nazaré, Jesus lê o profeta Isaías e apresenta seu próprio programa messiânico: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e a recuperação da vista aos cegos, para libertar os oprimidos e proclamar um ano da graça do Senhor” (Lc 4,18-19).
Jesus não inventa essa linguagem. Ele assume a tradição libertadora de Israel (cf. Is 61,1ss). Mas existe algo decisivo: em Jesus, o amor de Deus pelos pobres deixa de ser apenas uma afirmação abstrata e torna-se presença concreta.
Jesus toca os leprosos. Aproxima-se dos marginalizados. Senta-se à mesa com pecadores. Defende mulheres desprezadas. Acolhe crianças. Cura enfermos. Alimenta multidões. Aproxima-se dos que a sociedade religiosa considera impuros. Denuncia aqueles que transformam a religião em instrumento de opressão. E, no capítulo 25 de Mateus, estabelece uma identificação impressionante entre ele próprio e os pequenos: “Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era estrangeiro e me acolhestes…” (Mt 25,35).
A conclusão é ainda mais radical: “Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,40).
Aqui está uma das raízes mais profundas da Teologia da Libertação. O pobre não é apenas objeto da ação da Igreja. No pobre, o próprio Cristo se faz presente.
4. A opção pelos pobres não é invenção da Teologia da Libertação
É exatamente por isso que não podemos dizer que a opção pelos pobres seja uma invenção da Teologia da Libertação. A Teologia da Libertação sistematizou, em linguagem teológica, uma preocupação que acompanha a Igreja desde os tempos bíblicos.
Os Padres da Igreja já denunciavam a acumulação injusta de riquezas e defendiam os pobres. São Basílio de Cesareia questionava fortemente aqueles que acumulavam bens enquanto outros passavam necessidade. São João Crisóstomo insistia que o dinheiro e os bens não poderiam ser utilizados de maneira indiferente diante da pobreza.
Ao longo dos séculos, inúmeros homens e mulheres fizeram da proximidade com os pobres uma expressão concreta da santidade cristã: Francisco de Assis, Vicente de Paulo, José de Calasanz, Filipe Neri, Dom Bosco, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce e tantos outros.
A Igreja sempre teve santos e santas que compreenderam que o amor a Deus passa necessariamente pelo amor ao próximo.
Portanto, quando a Teologia da Libertação afirma que os pobres devem ocupar lugar privilegiado na missão evangelizadora, ela não está introduzindo uma novidade estranha à tradição cristã. Está recuperando uma dimensão fundamental dessa tradição.
5. “Não há como amar a Deus sem amar o próximo”
Aqui encontramos o centro espiritual de toda verdadeira teologia cristã da libertação.
A Primeira Carta de João formula uma questão que não pode ser contornada: “Quem não ama seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê” (1Jo 4,20). A fé cristã não pode ser reduzida a uma relação individual e intimista com Deus. Deus se revela como amor. E o amor cristão necessariamente se concretiza na história.
Por isso, uma espiritualidade que fala muito de Deus, mas permanece indiferente diante da fome, do racismo, da violência, da exploração dos trabalhadores, da expulsão dos povos indígenas de seus territórios, da destruição da Casa Comum, da degradação das pessoas em situação de rua ou do sofrimento dos migrantes, corre o risco de tornar-se uma espiritualidade contraditória ao próprio Evangelho.
O amor cristão não elimina a dimensão espiritual. Ao contrário: é justamente a experiência de Deus que conduz ao compromisso com a vida concreta.
6. E onde entra o Marxismo?
É aqui que precisamos abandonar tanto a caricatura quanto a ingenuidade.
Historicamente, alguns teólogos e correntes vinculados à Teologia da Libertação utilizaram categorias provenientes da análise marxista para compreender determinadas estruturas econômicas e sociais. Isso aconteceu especialmente no contexto latino-americano das décadas de 1960, 1970 e 1980, quando as sociedades do continente eram marcadas por enormes desigualdades e por regimes autoritários.
A Igreja examinou criticamente essa questão.
Em 1984, a Congregação (hoje Dicastério) para a Doutrina da Fé publicou a Libertatis Nuntius, alertando contra determinadas formas de Teologia da Libertação que utilizavam, de maneira insuficientemente crítica, conceitos provenientes de correntes marxistas. O documento, porém, não condenou a preocupação cristã com a libertação dos pobres. Pelo contrário: afirmou explicitamente que o Evangelho de Jesus Cristo é mensagem de liberdade e força de libertação e reconheceu a existência de uma autêntica Teologia da Libertação enraizada na Palavra de Deus.
Dois anos depois, em 1986, o Dicastério publicou a Libertatis Conscientia, desenvolvendo positivamente a concepção cristã de liberdade e libertação. O documento afirma a centralidade dos pobres como objeto da predileção divina e apresenta a libertação cristã em sua dimensão espiritual, social e histórica.
Portanto, não é correto transformar a história em uma caricatura segundo a qual “Teologia da Libertação é igual a Marxismo”.
Da mesma maneira, seria simplista afirmar que nunca existiu qualquer diálogo entre alguns teólogos da libertação e categorias marxistas.
A posição mais rigorosa é outra: houve, historicamente, diferentes correntes e diferentes usos de categorias marxistas; a Igreja criticou aqueles que eram incompatíveis com a fé cristã, sem por isso rejeitar a preocupação evangélica com a libertação dos pobres.
7. João Paulo II e a “útil e necessária” Teologia da Libertação
Um dado histórico frequentemente esquecido é particularmente importante.
Em carta aos bispos do Brasil, em 9 de abril de 1986, São João Paulo II afirmou que era necessário desenvolver no Brasil e na América Latina uma “correta e necessária teologia da libertação”, em fidelidade à doutrina da Igreja e vinculada ao amor preferencial pelos pobres. Essa afirmação desmonta a ideia de que o Magistério da Igreja teria simplesmente declarado que toda Teologia da Libertação é herética.
Não foi isso que aconteceu.
O Magistério realizou um discernimento. Rejeitou determinados pressupostos incompatíveis com a fé cristã, especialmente quando determinadas categorias ideológicas passaram a ocupar o lugar central que pertence à Revelação. Mas, simultaneamente, reafirmou a legitimidade e a necessidade de uma reflexão cristã sobre a libertação.
Essa distinção é fundamental.
A Igreja não condenou o Evangelho da libertação. A Igreja examinou criticamente determinadas formas de interpretá-lo. Este tem sido o caminhar da Igreja ao longo de dois milênios. Convidar ao discernimento e promover a maturidade. As exortações do Magistério à Teologia da Libertação são conselhos de uma mãe a seus filhos, para que possam caminhar seguramente. Não houve condenação a esta Teologia e, sim, um convite à maturidade. Algo que quaisquer teologias ou ações pastorais estão sujeitas. Como mãe, a Igreja cuida de seus filhos e filhas. O que nos faz insistir: nunca aconteceu uma condenação à Teologia da Libertação. Dada importância de sua expressão, foi convidada a aprimorar-se. Não se exorta à maturidade aquilo que é irrelevantes.
Não nos esqueçamos: São João Paulo II afirmou: “a Teologia da Libertação é útil e necessária”!
8. A opção pelos pobres pertence ao Magistério contemporâneo
A continuidade dessa perspectiva pode ser percebida também no Magistério posterior.
O Papa Francisco, na Evangelii Gaudium, afirma que a opção pelos pobres é, para a Igreja, antes de tudo uma categoria teológica, e não simplesmente sociológica, política ou ideológica. Recorda que Deus manifesta sua primeira misericórdia aos pobres e apresenta essa opção como parte da tradição da Igreja. Isso é extremamente importante.
Se a opção pelos pobres fosse uma consequência do marxismo, seria necessário perguntar por que ela aparece no coração do Magistério católico.
Mas a resposta é simples: porque ela não nasceu do marxismo.
Ela nasceu da Bíblia. Nasceu do Êxodo. Nasceu dos profetas. Nasceu da tradição sapiencial. Nasceu da experiência de Rute. Nasceu da coragem de Ester. Nasceu da espiritualidade de Tobias. Nasceu das palavras de Jesus. Nasceu da Cruz. Nasceu da Ressurreição. Nasceu da tradição viva da Igreja.
O marxismo, como instrumento de análise social, pertence a outra ordem de realidade. Pode ter sido utilizado criticamente por determinados autores em determinados períodos históricos. Mas não constitui a fonte da opção cristã pelos pobres. Nem a Teologia da Libertação que construímos hoje.
9. A Teologia da Libertação diante dos desafios atuais
Hoje, a Teologia da Libertação encontra novos desafios.
A pobreza continua existindo, mas apresenta novas configurações.
Existem milhões de pessoas submetidas à precarização do trabalho, à insegurança alimentar, à falta de moradia e à exclusão digital. Povos indígenas continuam lutando pela defesa de seus territórios. Comunidades tradicionais enfrentam a expansão de grandes projetos econômicos. Migrantes e refugiados encontram fronteiras fechadas. A crise climática atinge de maneira particularmente cruel aqueles que menos contribuíram para sua produção.
A destruição da Casa Comum também possui uma dimensão profundamente teológica. Não podemos falar de amor a Deus enquanto destruímos irresponsavelmente a Criação que Ele confiou à humanidade.
Por isso, a Teologia da Libertação continua sendo chamada a discernir os “sinais dos tempos”.
Hoje, a libertação precisa ser compreendida de maneira integral: libertação da fome, da pobreza, da violência, do racismo, do patriarcado, da exploração econômica, da destruição ambiental, da exclusão social e também de tudo aquilo que impede a pessoa humana de viver sua dignidade como filha e filho de Deus.
Não se trata de substituir a salvação cristã por um programa político. Trata-se exatamente do contrário: levar a sério as consequências históricas da salvação anunciada por Jesus Cristo.
10. A Teologia da Libertação e as Comunidades Eclesiais de Base
É nesse ponto que as Comunidades Eclesiais de Base possuem importância singular. Nas CEBs, a Bíblia deixa de ser um livro distante e torna-se Palavra que ilumina a vida. O povo lê o Êxodo e reconhece suas próprias experiências de opressão.
Lê os profetas e percebe que Deus continua denunciando sistemas que produzem exclusão. Lê Rute e encontra a dignidade das mulheres e dos estrangeiros. Lê Tobias e compreende que não se pode desviar o olhar do pobre. Lê o Evangelho de Lucas e escuta novamente Jesus anunciar a Boa-Nova aos pobres. Lê Mateus 25 e descobre que Cristo está presente nos famintos, sedentos, estrangeiros, enfermos e encarcerados.
Essa Leitura Popular da Bíblia não é uma fuga da realidade. É uma maneira de retornar à realidade com os olhos iluminados pela Palavra.
Por isso, a Teologia da Libertação e as CEBs podem ser compreendidas como parte de uma grande tradição eclesial que procura unir fé e vida, Bíblia e realidade, oração e compromisso, contemplação e transformação social.
Conclusão: a libertação não é uma heresia, nasce do Evangelho
Talvez seja necessário fazer uma pergunta mais radical: seria possível chamar de heresia uma teologia que procura levar a sério o Deus que ouve o clamor dos escravizados, o Deus que envia os profetas para defender os pobres, o Deus que em Jesus anuncia a Boa-Nova aos pobres e que se identifica com os pequeninos?
Certamente, toda teologia pode se equivocar. Toda reflexão humana precisa de discernimento. Nenhuma corrente teológica está acima do Magistério, da Tradição ou da Sagrada Escritura.
Mas isso não nos permite concluir que a Teologia da Libertação, enquanto esforço teológico para compreender o Evangelho a partir da realidade dos pobres e da exigência cristã de libertação integral, seja simplesmente uma heresia.
O próprio Magistério distinguiu.
A Libertatis Nuntius criticou determinadas formas e determinados usos acríticos do marxismo, mas reconheceu uma autêntica Teologia da Libertação fundada na Palavra de Deus. A Libertatis Conscientia aprofundou positivamente a liberdade e a libertação cristãs. São João Paulo II falou de uma “correta e necessária teologia da libertação” para a América Latina. E Francisco reafirmou que a opção pelos pobres é uma categoria teológica que pertence à tradição da Igreja.
Portanto, a Teologia da Libertação não precisa pedir licença ao marxismo para existir. Sua fonte é anterior e mais profunda. Sua fonte é a Palavra de Deus.
É o Deus do Êxodo que escuta o clamor dos oprimidos. É o Deus dos profetas que exige justiça. É o Deus de Rute que acolhe a estrangeira e a viúva. É o Deus de Tobias que manda não desviar o olhar do pobre. É o Deus que sustenta Ester diante da ameaça contra seu povo. É o Pai anunciado por Jesus. É o Cristo que se identifica com os pequeninos. É o Espírito Santo que conduz a Igreja pelos caminhos da história.
E é a própria tradição da Igreja que, ao longo dos séculos, nunca deixou de recordar que os bens da Criação possuem uma destinação universal e que o amor a Deus não pode ser separado do amor ao próximo.
Por isso, talvez a pergunta mais adequada não seja: “A Teologia da Libertação é marxista?” A pergunta cristã deveria ser: “O que significa seguir Jesus Cristo quando os pobres continuam clamando por vida, dignidade, justiça e esperança?”
E a resposta continuará sendo aquela que atravessa toda a Escritura: amar a Deus e amar o próximo. Porque não há verdadeira experiência de Deus quando fechamos os olhos diante do irmão e da irmã que sofre. E, como nos recorda Tobias, diante do pobre não devemos desviar o olhar.
Porque, quando o cristão olha para o pobre com os olhos da fé, descobre que, de algum modo misterioso e real, é o próprio Cristo quem está olhando de volta.
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