Por Karina Moreti
& Pe. Hermes A. Fernandes
Quando lemos o Livro de Daniel, encontramos muito mais do que histórias de fidelidade, sonhos e bençãos. Encontramos uma profunda reflexão sobre o poder e sobre aquilo que acontece quando um império acredita que pode determinar não apenas os rumos de uma sociedade, mas também aquilo que as pessoas devem pensar, adorar, obedecer e aceitar. Daniel e seus companheiros vivem dentro da estrutura imperial, conhecem seus mecanismos e experimentam diretamente suas exigências. É justamente nesse contexto que o livro apresenta uma pergunta que continua atual: até onde pode ir o poder humano?
Para propor uma reflexão sobre essa provocação do Livro de Daniel que ultrapassa a história, focaremos na exegese do capítulo 7. Este, faz uma ligação entre as duas partes que compõem o livro. Uma primeira questão exegética fundamental consiste em compreender que o personagem Daniel é apresentado no livro como um sábio judeu que vive no contexto do exílio babilônico. Entretanto, a composição literária do livro é muito posterior ao período do exílio. O núcleo final da obra está relacionado sobretudo à crise provocada pela política de Antíoco IV Epífanes, no século II a.C., quando o povo judeu sofreu forte pressão para abandonar suas tradições religiosas e assumir padrões culturais impostos pelo helenismo.
Esse dado histórico é fundamental. O livro utiliza personagens e acontecimentos situados em tempos antigos para falar às comunidades que enfrentavam uma situação concreta de perseguição. É uma característica importante da literatura apocalíptica: por meio de imagens, sonhos, símbolos e visões; ela interpreta a história presente e revela aquilo que os poderes dominantes procuram esconder.
O livro se divide em duas grandes partes. Os capítulos 1–6 contêm narrativas sobre Daniel e seus companheiros na corte estrangeira; os capítulos 7–12 apresentam visões apocalípticas. O capítulo 7 funciona como uma espécie de ponte entre essas duas dimensões, passando das histórias narradas em terceira pessoa para as visões apresentadas pelo próprio Daniel.
A obra possui ainda uma característica linguística importante: partes do livro estão em aramaico, enquanto outras estão em hebraico; além disso, as tradições católicas incluem os acréscimos gregos de Susana (cf. Dn 13), além do relato sobre o ídolo Bel e o Dragão (cf. Dn 14). Isso mostra que estamos diante de uma obra literária complexa, formada por diferentes tradições que foram sendo reunidas e transmitidas no interior da fé de Israel.
Portanto, Daniel não deve ser interpretado como uma narrativa histórica no sentido moderno. Trata-se de uma releitura teológica da história. A pergunta não é simplesmente “o que aconteceu?”, mas: “onde está Deus quando o povo sofre?”; “quem realmente governa a história?”; “vale a pena permanecer fiel quando a fidelidade pode custar a própria vida?” Daí a importância de se fazer memória, durante o tempo da ocupação helênica (Séc. II a.C.) de uma das figuras mais paradigmáticas, enquanto personificação da imagem do opressor.
Nabucodonosor é uma das figuras que melhor expressam essa lógica imperial. Ele é poderoso, constrói, conquista, determina e exige submissão. Em Daniel 3, manda erguer uma enorme estátua de ouro e ordena que todos se prostrem diante dela. Não basta que o povo reconheça a autoridade do rei; é necessário que se curve diante da imagem construída pelo próprio poder. A estátua representa, assim, muito mais do que um objeto religioso. Ela simboliza um poder que deseja ser admirado, obedecido e reconhecido como absoluto. Quem não se curva torna-se inimigo da ordem estabelecida e passa a sofrer as consequências de sua resistência.
É justamente aqui que Nabucodonosor deixa de ser apenas um personagem de um passado distante e pode ser compreendido como uma representação de uma lógica de poder que continua presente na história. O Nabucodonosor de Daniel não é apenas o governante que possui autoridade. É aquele que transforma sua autoridade em instrumento de submissão, que acredita que sua força lhe permite decidir sobre a consciência dos outros e que não suporta a existência de pessoas que se recusam a se ajoelhar diante de sua imagem. Quando encontramos essa lógica em projetos políticos contemporâneos, especialmente em determinadas expressões das políticas de Extrema Direita, podemos reconhecer a permanência do espírito imperial denunciado pelo livro bíblico.
Não estamos dizendo que o Livro de Daniel tenha sido escrito na perspectiva da Extrema Direita do século XXI. Estaríamos propondo um anacronismo absurdo. Evidentemente, não poderia ser assim. Estamos fazendo uma leitura da realidade a partir de uma chave bíblica. A Escritura nos oferece imagens, experiências e critérios que nos ajudam a discernir os poderes de cada época. E a figura de Nabucodonosor é particularmente significativa porque representa o governante que transforma a própria força em medida de todas as coisas. A partir dessa perspectiva, podemos observar uma Extrema Direita que, em diferentes contextos, alimenta o culto à autoridade, exalta a força como solução para os conflitos, transforma determinados grupos em inimigos permanentes, e apresenta a submissão como condição para pertencer à sociedade.
O problema teológico começa justamente quando a autoridade deixa de reconhecer seus limites. Na Bíblia, nenhum rei é Deus. Nenhum império é eterno. Nenhum governante possui autoridade absoluta sobre a vida humana. A história de Daniel é construída sobre essa afirmação. Nabucodonosor pode conquistar territórios, construir monumentos, comandar exércitos e impor decretos; mas não consegue ocupar o lugar que pertence a Deus. Por isso, a resistência de Sidrac, Misac e Abdênago não é uma simples desobediência política. Eles se recusam a reconhecer como absoluto aquilo que é apenas humano. Diante da estátua, permanecem de pé.
Essa imagem é profundamente atual. Uma sociedade pode produzir diferentes tipos de estátuas. Algumas são feitas de ouro; outras são construídas com propaganda, culto à personalidade, discursos de grandeza nacional, exaltação da força, medo e construção permanente de inimigos. O material e a forma podem mudar, mas a lógica permanece quando se exige que a população se curve diante de um líder, de uma ideologia ou de um projeto de poder como se não houvesse limites éticos superiores. O problema não está simplesmente em admirar uma liderança política. O problema começa quando a liderança passa a ser tratada como algo acima da crítica, quando qualquer questionamento é interpretado como traição e quando a própria dignidade das pessoas pode ser sacrificada para preservar a imagem do poder.
É por isso que a relação de Nabucodonosor com os pobres também merece nossa atenção. Em Daniel 4, o rei recebe uma advertência que deveria ser lida por qualquer pessoa que exerça poder sobre uma sociedade: “pague seus pecados com obras de justiça e seus crimes socorrendo os pobres” (Dn 4,24). Daniel não aconselha o rei a construir um império ainda mais poderoso. Não pede que aumente sua capacidade militar. Não celebra suas conquistas. O profeta aponta para aquilo que o poder tende a esquecer: os pobres.
Essa passagem desmonta uma concepção de poder muito presente em nossos dias. O poder não é legitimado pela força que consegue demonstrar, mas precisa ser confrontado pela maneira como trata aqueles que estão em situação de vulnerabilidade. A Bíblia não olha para os pobres como um problema que precisa ser removido do caminho para que o projeto político funcione. Ao contrário, a maneira como uma sociedade trata os pobres revela aquilo que ela entende por justiça. Por isso, quando a Extrema Direita transforma a pobreza em culpa individual, trata a proteção social como fraqueza, apresenta migrantes e refugiados como ameaça, defende a violência como resposta privilegiada aos conflitos ou transforma pessoas encarceradas em seres humanos sem direitos, estamos diante de uma lógica que precisa ser confrontada pela Palavra de Deus.
Nabucodonosor representa justamente esse tipo de poder que precisa ser lembrado de que existe algo maior do que sua própria força. O rei pode imaginar que construiu tudo sozinho, mas Daniel mostra que sua soberania é limitada. O poder que se considera absoluto acaba sendo desmascarado. O capítulo 4 apresenta uma espécie de inversão: aquele que acreditava estar acima de todos precisa experimentar a própria fragilidade. O império, por mais poderoso que pareça, não é eterno.
Essa crítica ao poder ganha uma dimensão ainda mais interessante quando pensamos no nosso tempo tecnológico. Hoje, os impérios não precisam erguer estátuas de ouro para demonstrar sua capacidade de controle. Eles podem trabalhar com dados, algoritmos, sistemas de vigilância e inteligência artificial. A tecnologia ampliou de maneira extraordinária a capacidade humana de conhecer, classificar, prever e influenciar comportamentos. A inteligência artificial pode produzir benefícios importantes na educação, na medicina, na ciência e na comunicação, mas também pode ser utilizada para ampliar mecanismos de controle sobre populações inteiras.
É aqui que a pergunta de Daniel se torna novamente necessária: quem controla o conhecimento e para que finalidade esse conhecimento está sendo utilizado? A inteligência artificial não possui, por si mesma, uma ética. Ela é desenvolvida e utilizada dentro de relações concretas de poder. Se estiver a serviço da educação, da saúde, da acessibilidade e da democratização do conhecimento, pode contribuir para a vida. Se for colocada a serviço da vigilância indiscriminada, da manipulação política, da discriminação ou da perseguição de grupos vulneráveis, poderá aprofundar desigualdades que já existem.
O risco não está apenas na máquina. Está na concentração do poder nas mãos daqueles que controlam a máquina.
Essa questão nos aproxima novamente de Nabucodonosor. O rei queria controlar a sociedade inteira e determinar como seus súditos deveriam agir. Hoje, governos e grandes empresas possuem recursos tecnológicos capazes de conhecer pessoas em uma escala que os antigos impérios jamais poderiam imaginar. Dados pessoais, localização, hábitos de consumo, preferências, relacionamentos, deslocamentos e comportamentos podem ser reunidos e analisados por sistemas cada vez mais sofisticados. Quanto maior a capacidade de conhecer, maior pode ser a capacidade de controlar. E quanto mais concentrado estiver esse conhecimento, maior será a vulnerabilidade daqueles que não possuem acesso aos mesmos recursos.
Por isso, discutir inteligência artificial também é discutir justiça. Não basta perguntar se uma tecnologia funciona. É necessário perguntar quem será beneficiado por ela, quem poderá ser prejudicado, quem terá condições de contestar uma decisão automatizada e quem será ouvido quando um sistema produzir consequências injustas. O desenvolvimento tecnológico não pode ser tratado como se estivesse acima da ética. A inteligência humana que cria a tecnologia continua responsável pelo modo como ela é utilizada.
O Livro de Daniel ajuda a recuperar exatamente essa consciência de limite. Nabucodonosor precisava descobrir que seu poder não era absoluto. O mesmo princípio vale para os poderes contemporâneos. Nenhum governo, nenhuma empresa, nenhuma plataforma tecnológica e nenhum líder político pode reivindicar para si o direito de decidir sozinho quem merece dignidade, proteção ou liberdade. Quando o poder se torna absoluto, os vulneráveis são os primeiros a pagar o preço.
A visão de Daniel 7 radicaliza ainda mais essa percepção. Os grandes impérios aparecem representados por animais monstruosos. A imagem não é casual. O poder que deveria ser humano torna-se bestial quando passa a devorar, dominar e destruir. O império deixa de ser simplesmente uma organização política e passa a representar uma força que consome aqueles que estão abaixo dele. É uma maneira profundamente simbólica de dizer que o poder pode perder sua humanidade.
Voltemos ao capítulo 7 do Livro de Daniel! Este inaugura uma nova parte da obra. Depois das narrativas dos capítulos 1–6, encontramos agora uma visão apocalíptica marcada por símbolos, animais monstruosos, chifres, tronos, julgamento e pela misteriosa figura “como um Filho de Homem” (Dn 7,13). Para compreender adequadamente o texto, é necessário evitar uma leitura que transforme suas imagens em previsões sobre acontecimentos contemporâneos. Daniel 7 nasce de uma situação histórica concreta: a dominação helenista e, sobretudo, a perseguição desencadeada por Antíoco IV Epífanes contra o povo judeu no século II a.C. O livro, em sua forma final, é geralmente situado entre 167 e 164 a.C., no contexto da crise que culminou na revolta dos Macabeus.
A linguagem apocalíptica, portanto, não é fuga da história. É uma maneira de interpretar a história a partir dos que sofrem. Daniel revela, mediante símbolos, aquilo que o poder imperial procura esconder: os impérios que se apresentam como grandiosos e civilizadores podem assumir características bestiais quando dominam, exploram e desumanizam os povos.
É precisamente nessa perspectiva que Daniel 7 pode dialogar profundamente com a Teologia Latino-americana e com a caminhada das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs): Deus não é indiferente diante da opressão. A história não pertence definitivamente aos impérios. O poder dos violentos é passageiro, enquanto o Reino é entregue aos “santos do Altíssimo”, isto é, ao povo fiel e perseverante (cf. Dn 7,18.27).
O ponto culminante da visão acontece quando Daniel vê “um como Filho de Homem” vindo sobre as nuvens. Ele recebe do Ancião “poder, honra e reino”, e todos os povos lhe prestam serviço (cf. Dn 7,13-14).
O contraste com as feras é intencional. Os impérios são apresentados como animais; aquele que recebe o domínio definitivo aparece com forma humana. A mensagem é clara: Deus deseja uma humanidade reconciliada, e não uma sociedade organizada pela lógica da fera.
Há diferentes interpretações acerca da identidade dessa figura. Muitos estudiosos entendem que ela possui uma dimensão coletiva, representando o povo fiel que, depois de sofrer sob os impérios, recebe de Deus o domínio. Isso se confirma especialmente em Dn 7,18 e 27, onde o reino é explicitamente entregue aos “santos do Altíssimo”. Outros textos e tradições posteriormente associarão essa figura ao Messias, e o Novo Testamento utilizará amplamente a expressão “Filho do Homem” em referência a Jesus.
A perspectiva latino-americana pode perceber aqui uma inversão fundamental: aqueles que os impérios consideram insignificantes são os que Deus coloca no centro da história.
Daniel 7 nasceu em um contexto de perseguição e dominação, mas sua mensagem ultrapassou aquele momento histórico. O texto revela que os impérios podem parecer eternos, mas não são. Aquilo que se apresenta como força absoluta pode ser desmascarado como violência. Deus julga os poderes que destroem a vida e entrega o Reino aos seus santos.
A grande pergunta de Daniel 7 permanece diante da Igreja latino-americana: queremos permanecer ao lado das feras que dominam ou caminhar com os pequenos que recebem de Deus o Reino?
Talvez seja justamente por isso que essa imagem continue tão atual. Quando um discurso político transforma migrantes em invasores, pobres em culpados, presos em seres sem direitos, adversários em inimigos e diferenças em ameaças, alguma coisa da humanidade está sendo perdida. Quando a força passa a ser apresentada como único caminho para resolver conflitos, quando a violência é celebrada e quando a compaixão é tratada como fraqueza, a sociedade se aproxima da lógica dos impérios denunciados por Daniel.
Uma leitura do Livro de Daniel a partir da Teologia Latino-americana permite perceber que suas imagens, símbolos e narrativas possuem uma profunda dimensão política e social. Daniel fala de reis que concentram poder, impérios que dominam povos, estruturas que produzem medo e sistemas que pretendem ocupar o lugar de Deus. Por isso, embora o livro tenha surgido em uma realidade histórica específica, sua mensagem continua provocadora diante dos imperialismos contemporâneos, das guerras, da concentração econômica, da exploração dos povos, do racismo, da destruição da Casa Comum e do crescimento de projetos políticos de extrema direita que, em diferentes contextos, alimentam nacionalismos excludentes, autoritarismos, fundamentalismos e a demonização dos pobres e dos diferentes.
A hermenêutica latino-americana não pretende identificar mecanicamente os impérios antigos com governos atuais. A analogia deve ser feita com discernimento histórico. O que permanece é a lógica imperial: a concentração de poder, a submissão dos povos, a sacralização do governante, a utilização da força para manter privilégios e a transformação da mentira em instrumento de dominação.
Atualizando para nossa realidade Cristã, o Evangelho não nos chama a construir novos Nabucodonosores. Também não nos chama a encontrar um governante que ocupe o lugar de salvador. A tradição bíblica aponta para outra direção: o poder precisa estar a serviço da vida, e aqueles que governam precisam ser lembrados de que existem pessoas concretas que sofrem as consequências de suas decisões. Por isso, a Igreja não pode se ajoelhar diante dos impérios de seu tempo. Sua missão profética exige que permaneça de pé diante das estátuas que pedem adoração.
É nesse ponto que a questão política se transforma também em questão espiritual. A extrema direita assumindo a lógica de Nabucodonosor — a exaltação do líder, a absolutização da autoridade, a construção permanente de inimigos, a valorização da força acima da misericórdia e a disposição de sacrificar os vulneráveis em nome de uma determinada ordem — ela entra em choque com a perspectiva bíblica de justiça. Não porque Daniel apresente um programa partidário, mas porque apresenta um critério: o poder deve ser confrontado pela justiça e pela misericórdia, especialmente diante dos pobres.
É por isso que Daniel continua sendo uma leitura necessária para a Igreja e para a sociedade. O livro nos lembra que os impérios passam, os governantes passam, as tecnologias mudam e os discursos políticos se transformam, mas a tentação de concentrar poder e exigir submissão permanece. Nabucodonosor pode mudar de nome, pode vestir outra roupa e pode utilizar tecnologias que o antigo rei jamais imaginaria, mas a lógica continua reconhecível quando alguém acredita que sua força lhe dá o direito de decidir sobre a vida dos outros.
A pergunta que fica para nós, portanto, não é simplesmente quem ocupa o poder, mas que tipo de poder estamos permitindo que seja construído entre nós. Um poder que protege os vulneráveis, promove justiça e reconhece limites pode contribuir para a vida coletiva. Um poder que exige submissão, transforma diferenças em ameaças, desumaniza os pobres e concentra em poucas mãos a capacidade de decidir sobre a vida alheia reproduz a lógica dos impérios que a Bíblia denuncia.
Daniel nos convida a permanecer de pé. Não diante de uma estátua de ouro, mas diante de todas as formas contemporâneas de poder que pretendem ocupar o lugar de Deus. E, quando o poder se torna Nabucodonosor, a Palavra continua dizendo aquilo que o rei precisava ouvir: pratique a justiça e use de misericórdia com os pobres.
Esta é uma das tarefas mais urgentes da fé cristã em nosso tempo: lembrar aos impérios que nenhum deles é Deus e lembrar à sociedade que, enquanto os poderosos disputam o controle, os vulneráveis continuam precisando de proteção. É olhando para esses rostos que a Igreja pode discernir se está diante de um poder que serve à vida ou de mais uma estátua diante da qual esperam que nos ajoelhemos.
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