A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre o agir. Na semana passada, eu disse que o agir é mais importante que o falar, porém é preciso entender que a natureza dos frutos da sua ação é o que mostra a sua adesão ao plano divino, que nos salva de todos os males. Não basta falar, é preciso agir de acordo, posto que seu agir não pode produzir morte, exclusão e opressão. Seus frutos precisam ser de vida, inclusão e libertação.
Na primeira leitura, Isaías nos traz a imagem da vinha cuidadosamente plantada, com as melhores uvas e os maiores cuidados. Dela se espera uns frutos de qualidade, mas a colheita resulta em frutos amargos e intragáveis! Ao ler essa profecia, devemos ouvir sua denúncia: para Deus os frutos amargos são a injustiça e a iniquidade.
Na segunda leitura, Paulo nos anima garantindo um Pai próximo de nós, mas nos desafia a uma espiritualidade encarnada ao dizer: “Praticai o que aprendestes e recebestes de mim, ou que de mim vistes e ouvistes”. Assim, nos chama a uma fé com frutos concretos de bondade, justiça e verdade.
No Evangelho, Jesus usa da parábola da vinha para nos fazer refletir sobre o pecado de tomar para si o que é de todas as pessoas. Se seu fruto gera injustiça e morte, então ele é amargo. Aqui não se condena pessoas e sim uma atitude. Você deve viver para o que é bom e justo, usar de seus dons para produzir um mundo melhor para todas as pessoas ou se tornará mais um vinhadeiro homicida da parábola. Assim, este fim de semana é intimamente ligado com a semana passada: não basta dizer que segue Jesus, você tem que agir e não basta agir é preciso agir conforme o que Ele nos ensinou.
Quanto a nós, vamos sair no mundo e cuidar da vinha, produzir frutos agradáveis para todas as pessoas, protegendo a vida e a dignidade humana – a começar nas periferias sociais e existenciais –, seguir promovendo a justiça, reduzindo as desigualdades e construindo a paz com o diálogo amoroso. Será difícil, mas a nossa colheita se realizará na terra sem males.
A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.
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