A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre os seus efeitos em nossas vidas. Ao entrar por nossos ouvidos, ela é plantada no coração, mas quais os frutos que resultam disso? Indo mais além, o resultado da Palavra plantada se limita apenas a nós ou os nossos frutos devem ser colhidos por toda a humanidade?
Na primeira leitura, Isaías nos mostra que a natureza da Palavra de Deus é dar frutos, é ser generosa, é como a chuva ou a neve, que cai sobre toda a criação sem qualquer distinção. Não deve ser pensada como bem próprio, mas como uma dádiva para toda a humanidade.
Na segunda leitura, Paulo nos fala de um grande momento da libertação, da revelação dos que seguem Jesus. Esta será a grande colheita que deverá se manifestar a toda a humanidade! Na verdade os frutos da Palavra de Deus não se limitam apenas à humanidade, mas agem também em toda a casa comum. Não é a toa que a criação geme em dores de parto, afinal toda a criatura que ser liberta da escravidão e da corrupção.
No Evangelho, Jesus nos fala sobre o semeador que espalha a semente. Ele não é um relaxado que desperdiça os seus bens e sim uma pessoa generosa que oferece seu tesouro sem distinção de qual a natureza do terreno. Não se escolhe quem recebe e sim se cuida do terreno de acordo com a necessidade dele. O grande problema para frutificar é a dureza de coração, pois dá pouco espaço para o plantio. Sem os frutos não nos curamos de nossos males e nos tornamos cada vez mais rígidos, assim o pouco que se tem será tirado. Por isso, Jesus no alerta: “Quem tem ouvidos, ouça!” e eu peço que achem o terreno bom no coração de vocês e deixem a Palavra crescer e frutificar.
Quanto a nós, vamos a sair no mundo semeando a Palavra de Deus e colhendo os frutos que são o cuidado com toda a criação, a proteção da vida e da dignidade — começando nas periferias sociais e existenciais — com uma nova sociedade, onde reina a paz e a justiça social com diálogo amoroso e inclusão radical. Será uma linda colheita, que se realiza aos poucos e a cada dia até chegarmos na terra sem males.
A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.
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