Reflexões sobre o fim da “Escala 6×1” à Luz do Evangelho

Por Pe. Hermes A. Fernandes

Uma belíssima canção de Pe. Zezinho diz: “eu tantas vezes, vi meu pai chegar cansado, mas aquilo era sagrada, um por um ele afagava…” Essa é a realidade de muitas famílias brasileiras. Pais e mães que saem de madrugada para seus empregos e só retornam à noite. Cansados, saudosos de sua família e, muitas vezes, ainda encontram muitas questões a resolver em seus lares. É dolorosa a vida dos homens e mulheres nesta configuração de se trabalhar seis dias e ter somente um para se dedicar à família e descansar.

Neste ano, o calendário litúrgico nos oferece o Evangelho de Mateus como o principal na liturgia. Neste Evangelho, a palavra chave de seu entendimento é a Justiça. Diante disso, devemos nos perguntar: é justa a realidade da maioria das famílias brasileiras? Como podem pais e mães dar o afeto e a atenção necessária a seus filhos e filhas, na atual configuração de escala de trabalho? A redução da carga horária semanal de trabalho não é somente uma questão econômica. Trata-se de justiça! E se assim o é, à luz do Evangelho de Mateus, também é uma questão de fidelidade à Jesus e seu sonho de vida plena para todos e todas.

Estou convencido de que devemos, todos nós, apoiar a mudança deste paradigma, por uma solução que possibilite maior presença de nossos irmãos e irmãs junto às famílias. Precisamos abrir canais de debate em prol desta pauta. Justiça e dignidade às famílias trabalhadoras de nosso Brasil.

É possível viver em um país próspero, sem explorar os trabalhadores e trabalhadoras. É possível pensar uma economia à luz do Evangelho, onde a dignidade humana supere a ambição pelo lucro. Todavia, é preciso que convertamos nossos corações aos imperativos do Evangelho. Sobretudo, quando Jesus diz: “Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10).


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