Reflexão para Sexta-feira da 18ª Semana do Tempo Comum – (Na 2,1.3.3,1-3.6-7 e Mt 16,24-28)

Entre a queda do império e o caminho da cruz

Na 2,1.3; 3,1-3.6-7 e Mt 16,24-28 à luz da Teologia Latino-Americana e da Leitura Popular da Bíblia

Por Pe. Hermes A. Fernandes

Introdução

As leituras de Naum 2,1.3; 3,1-3.6-7 e Mateus 16,24-28 colocam diante da comunidade cristã duas imagens fortes e profundamente provocadoras: de um lado, a queda de Nínive, símbolo de um poder imperial construído pela violência, pela exploração e pelo sangue; de outro, Jesus que convida seus discípulos a tomar a cruz e a segui-lo, recusando a lógica do poder, do privilégio e da autopreservação.

Lidos em conjunto, esses textos revelam uma tensão decisiva para a fé: os impérios procuram conservar a vida por meio da dominação, mas acabam produzindo morte; Jesus, ao contrário, ensina que a verdadeira vida nasce da entrega, do serviço e da fidelidade ao Reino de Deus. A queda de Nínive manifesta que nenhum sistema de opressão é eterno. O chamado de Jesus mostra que a transformação da história exige discípulos e discípulas dispostos a assumir as consequências do compromisso com a justiça.

A Teologia Latino-Americana e a Leitura Popular da Bíblia ajudam a aproximar essas passagens das experiências concretas dos povos. A Bíblia deixa de ser apenas um livro do passado e torna-se Palavra viva, capaz de iluminar as lutas dos pobres, dos povos indígenas, das comunidades negras, dos trabalhadores, das mulheres, dos migrantes, das pessoas marginalizadas e de todos aqueles cuja dignidade é ameaçada.

Nessa perspectiva, a pergunta não é somente: “O que esses textos significaram em seu tempo?”, mas também: “Que luz lançam sobre as estruturas de violência de hoje? Que conversão exigem das comunidades cristãs? Que compromisso despertam em favor da vida?”

1. O livro de Naum: a denúncia profética contra o império

O livro de Naum é uma coleção de poemas proféticos centrados na queda de Nínive, capital do Império Assírio. A Assíria foi uma das maiores potências militares do antigo Oriente Próximo e marcou profundamente a história de Israel e de Judá.

Durante os séculos VIII e VII a.C., o poder assírio expandiu-se por meio de campanhas militares violentas. Povos eram conquistados, cidades destruídas, populações deportadas e territórios submetidos a pesados tributos. Em 722/721 a.C., o Reino do Norte, Israel, foi conquistado pelos assírios, e parte significativa de sua população foi deportada. Judá também sofreu a pressão imperial, especialmente durante o reinado de Senaqueribe, no final do século VIII a.C.

A Assíria não era apenas uma potência militar. Era um sistema econômico e político baseado na concentração de riquezas, na exploração dos povos conquistados e na imposição de sua ordem. A grandeza de Nínive era construída, em grande medida, sobre o sofrimento de outros povos.

É nesse contexto que Naum proclama a queda da cidade.

A profecia deve ser compreendida a partir da experiência histórica das vítimas. Para os povos submetidos ao império, a queda de Nínive representava a possibilidade de libertação. Por isso, a linguagem de Naum possui um caráter celebrativo: o poder que parecia invencível seria derrotado.

A Teologia Latino-Americana permite perceber que a Palavra de Deus, nesse texto, se manifesta a partir do clamor dos oprimidos. Deus não aparece como neutro diante da violência histórica. A justiça divina questiona os sistemas que produzem pobreza, destruição e morte.

2. Na 2,1.3: o fim da segurança do opressor

O texto começa com a imagem de um mensageiro que anuncia a chegada daquele que avança contra Nínive:

“Eis sobre os montes os passos do mensageiro que anuncia a paz.”

A imagem do mensageiro sobre os montes recorda a chegada de uma notícia decisiva. Para aqueles que viviam sob o domínio assírio, a queda do império podia ser recebida como uma boa notícia, pois significava o enfraquecimento de uma estrutura de dominação.

A paz anunciada não é uma paz abstrata nem simples tranquilidade individual. Trata-se da possibilidade de libertação diante de um poder que submetia povos e destruía comunidades.

No versículo seguinte, o profeta descreve a aproximação do exército que ataca Nínive. Escudos, guerreiros e carros de guerra compõem uma cena de combate. A cidade que durante muito tempo espalhara medo agora experimentaria a vulnerabilidade.

A inversão é significativa: quem aterrorizava passa a ser ameaçado; quem se apresentava como invencível descobre que seu poder possui limites.

A mensagem profética não afirma que toda violência produzida na história seja automaticamente desejada por Deus. O texto deve ser lido com atenção crítica, reconhecendo seu gênero literário, sua linguagem poética e seu contexto histórico. A celebração da queda de Nínive nasce da esperança dos povos submetidos à violência imperial.

A Leitura Popular da Bíblia pode perguntar: Quais são as “Nínives” de nosso tempo?

Elas podem aparecer em sistemas econômicos que acumulam riquezas enquanto milhões vivem na pobreza; em políticas que negam direitos; na destruição das florestas e dos territórios tradicionais; no racismo estrutural; na violência contra as mulheres; na exploração do trabalho; na criminalização dos pobres; na violência contra os povos indígenas e nas estruturas que transformam pessoas em números ou mercadorias.

A profecia de Naum recorda que nenhum poder construído sobre a injustiça possui garantia de permanência.

3. Na 3,1-3: “Ai da cidade sanguinária!”

O capítulo 3 apresenta uma das denúncias mais fortes do livro:

“Ai da cidade sanguinária, toda cheia de mentira e de rapina!”

A expressão “cidade sanguinária” revela que a violência não era um acontecimento isolado, mas uma característica estrutural do poder de Nínive. A cidade era marcada pelo sangue derramado, pela mentira e pela exploração.

O profeta descreve o som dos chicotes, o ruído das rodas, os cavalos em corrida, os carros em movimento, os guerreiros que avançam, as espadas e as lanças. A linguagem é intensa e quase cinematográfica. O leitor é colocado diante da realidade brutal da guerra.

Há cadáveres por toda parte. A violência produz uma multidão de mortos.

Essa descrição denuncia uma sociedade organizada pela guerra. O poder imperial apresenta a força militar como instrumento de segurança e grandeza, mas o profeta revela seu verdadeiro resultado: corpos feridos, vidas interrompidas e comunidades destruídas.

A crítica de Naum continua atual. Ainda hoje, muitas sociedades investem mais em instrumentos de violência do que em políticas de vida. Recursos que poderiam ser destinados à saúde, à educação, à moradia, à alimentação e à proteção social são frequentemente desviados para projetos de dominação e guerra.

A Teologia Latino-Americana insiste que a fé cristã deve olhar a realidade a partir das vítimas. Não se pode falar de paz ignorando os corpos que sofrem. Não se pode proclamar a dignidade humana sem enfrentar as estruturas que produzem exclusão.

A pergunta pastoral torna-se concreta: Quem são os corpos caídos ao longo dos caminhos de nossa história?

São as vítimas da fome, da violência urbana, do racismo, do feminicídio, da exploração do trabalho, das migrações forçadas, da destruição ambiental e da ausência de políticas públicas. São os povos que perdem suas terras, as famílias expulsas de seus territórios, os jovens mortos nas periferias e aqueles que permanecem invisíveis diante de uma sociedade marcada pela desigualdade.

A profecia exige que a comunidade cristã não naturalize essas mortes.

4. Na 3,6-7: a queda da cidade e o desmascaramento do poder

Nos versículos 6 e 7, Nínive é humilhada e exposta. A cidade que se apresentava como poderosa perde sua aparência de grandeza.

A linguagem é dura e deve ser interpretada dentro do contexto literário e histórico do livro. Trata-se de uma poesia de julgamento contra o império. A imagem da exposição pública expressa o desmascaramento de um poder que ocultava sua violência sob símbolos de grandeza.

O império construía uma imagem de força, estabilidade e superioridade. A profecia revela aquilo que estava escondido: sua riqueza era sustentada pela exploração; sua grandeza, pela violência; sua segurança, pelo medo imposto aos povos.

Na perspectiva da fé, Deus desmascara os ídolos da história.

A Teologia Latino-Americana reconhece que os ídolos modernos não são apenas imagens religiosas. Também podem ser o dinheiro absolutizado, o mercado transformado em valor supremo, o poder político sem compromisso com o bem comum, o lucro obtido à custa da destruição da vida e a ideologia que considera algumas pessoas descartáveis.

A queda de Nínive anuncia que a história não pertence definitivamente aos poderosos. Os impérios passam. A vida dos povos continua.

A Leitura Popular da Bíblia ajuda a perguntar: Que poderes precisam ser desmascarados em nossas comunidades?

É necessário reconhecer as formas de corrupção, autoritarismo, racismo, misoginia, exploração e violência que se apresentam como normais. A profecia não permite que a fé se torne cúmplice da injustiça.

5. Mt 16,24-28: o caminho de Jesus e o discipulado

No Evangelho de Mateus, o chamado a tomar a cruz ocorre depois da profissão de fé de Pedro e do primeiro anúncio da paixão. Jesus começa a revelar que sua missão não será realizada pela conquista do poder, mas pela entrega da própria vida.

Pedro reage ao anúncio do sofrimento porque espera um Messias vitorioso segundo os critérios políticos e religiosos de seu tempo. Jesus, porém, recusa a lógica do messianismo triunfalista.

É nesse contexto que ele declara:

“Se alguém quer vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.”

Jesus dirige o chamado a todos os discípulos. O seguimento não é privilégio de alguns nem uma exigência exclusiva de líderes religiosos. Toda a comunidade é convocada a participar de sua missão.

6. “Renuncie a si mesmo”: não é negar a própria dignidade

A expressão “renuncie a si mesmo” foi, em alguns momentos da história, interpretada de maneira individualista ou equivocada. Ela não significa desprezar a própria vida, aceitar abusos ou permanecer em situações de violência.

Jesus não pede que as pessoas abandonem sua dignidade. Ao contrário, seu ministério é marcado pela defesa da vida, pela cura dos doentes, pela acolhida dos excluídos e pela restauração da dignidade.

Renunciar a si mesmo significa abandonar o “eu” fechado, o egoísmo, a busca de poder e a lógica do privilégio. É deixar de colocar os próprios interesses acima da vida dos outros.

Na perspectiva latino-americana, essa renúncia possui uma dimensão social. O discípulo é chamado a questionar os privilégios que produzem exclusão e a colocar seus dons a serviço do bem comum.

Renunciar a si mesmo pode significar:

  • abandonar a indiferença diante da pobreza;
  • recusar o racismo e toda forma de discriminação;
  • combater a violência contra as mulheres;
  • defender os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais;
  • cuidar da criação;
  • colocar os bens a serviço da vida;
  • superar uma fé centrada apenas na salvação individual;
  • assumir a responsabilidade pela transformação da sociedade.

A renúncia cristã não é fuga do mundo. É conversão para o serviço.

7. “Tome a sua cruz”: a cruz não é qualquer sofrimento

A cruz era um instrumento de execução utilizado pelo Império Romano. Era aplicada especialmente contra escravizados, rebeldes, pessoas consideradas perigosas para a ordem imperial e aqueles que não possuíam proteção social.

Por isso, quando Jesus fala em tomar a cruz, seus discípulos não poderiam compreender a expressão apenas como aceitação paciente das dificuldades cotidianas.

A cruz possui um significado histórico e político. Jesus é condenado porque sua prática e sua mensagem entram em conflito com os poderes que sustentam a injustiça. Ele anuncia o Reino de Deus, acolhe os excluídos, denuncia a hipocrisia e questiona estruturas religiosas e sociais que colocavam pesos sobre o povo.

Tomar a cruz significa assumir as consequências do compromisso com o Evangelho.

A Teologia Latino-Americana reconhece que muitos cristãos e cristãs carregaram a cruz porque se colocaram ao lado dos pobres. Mártires, missionários, agentes pastorais, lideranças populares e defensores dos direitos humanos enfrentaram perseguições por permanecerem fiéis ao Evangelho da vida.

A cruz não deve ser utilizada para justificar a opressão. Nenhuma mulher deve ser orientada a permanecer em uma relação violenta “carregando sua cruz”. Nenhum trabalhador deve aceitar exploração como se a injustiça fosse vontade de Deus. Nenhum povo deve resignar-se à pobreza.

Jesus não sacraliza o sofrimento. Ele se solidariza com os sofredores e enfrenta as causas que produzem sofrimento.

A cruz cristã é consequência da fidelidade ao Reino, não justificativa para a submissão.

8. “Quem quiser salvar sua vida vai perdê-la”

Jesus apresenta um paradoxo:

“Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim vai encontrá-la.”

O termo “vida” possui um sentido amplo. Refere-se à existência, à pessoa e ao projeto de vida.

Aquele que vive apenas para conservar privilégios, acumular bens e proteger interesses particulares pode perder o sentido mais profundo da existência. Em contrapartida, quem coloca a vida a serviço do Evangelho encontra uma vida nova.

Essa palavra questiona a cultura do individualismo. Uma sociedade que ensina cada pessoa a buscar apenas o próprio sucesso pode produzir solidão, desigualdade e indiferença.

Na perspectiva da Teologia Latino-Americana, encontrar a vida significa participar da construção de relações justas e solidárias.

A vida cresce quando é partilhada.

A comunidade cristã é chamada a perguntar: Que tipo de vida estamos tentando salvar?

Uma vida fechada em privilégios? Uma religião preocupada apenas com sua própria conservação? Uma Igreja que evita conflitos para preservar sua imagem? Ou uma vida entregue ao serviço dos pobres e à construção do Reino?

9. “Que adianta ganhar o mundo inteiro?”

Jesus continua:

“Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua vida?”

A pergunta possui grande força diante de uma economia que frequentemente mede o valor das pessoas por sua capacidade de produzir, consumir e acumular.

É possível “ganhar o mundo” e perder a humanidade.

Uma empresa pode aumentar seus lucros enquanto destrói o meio ambiente. Um país pode crescer economicamente enquanto amplia a desigualdade. Uma pessoa pode acumular bens e perder a capacidade de solidariedade.

A crítica de Jesus questiona toda forma de riqueza construída contra a vida.

A Teologia Latino-Americana afirma que os bens possuem uma dimensão social. A propriedade não pode ser compreendida de modo absoluto quando milhões de pessoas não possuem alimento, moradia, trabalho ou acesso à saúde.

A pergunta do Evangelho pode ser atualizada: Que adianta aumentar a riqueza de poucos se muitos permanecem na fome? Que adianta promover crescimento econômico se comunidades inteiras são expulsas de seus territórios? Que adianta desenvolver tecnologias se elas não estão a serviço da dignidade humana?

O Evangelho não condena a vida material, mas denuncia a riqueza transformada em ídolo.

10. A inter-relação entre Naum e Mateus

A Liturgia aproxima Naum e Mateus porque ambos questionam a lógica do poder que produz morte.

Naum anuncia a queda de Nínive. O império, aparentemente invencível, é desmascarado e perde sua força. Mateus apresenta Jesus recusando o caminho do poder e escolhendo a fidelidade ao Reino, mesmo quando essa fidelidade conduz à cruz.

Os dois textos revelam que:

  • a violência não possui a última palavra;
  • os poderes históricos não são absolutos;
  • a grandeza construída sobre a exploração é passageira;
  • a verdadeira vida não nasce da dominação;
  • Deus escuta o clamor das vítimas;
  • o discipulado exige compromisso concreto com a justiça.

Naum olha para a queda do império. Mateus apresenta o caminho do Reino.

A profecia denuncia a violência estrutural. O Evangelho forma discípulos capazes de enfrentar essa violência por meio do serviço, da solidariedade e da entrega.

A cruz de Jesus não é a cruz do império. O império utiliza a cruz para matar. Jesus transforma a cruz em expressão de amor e fidelidade.

A diferença é fundamental.

A violência imperial busca eliminar aqueles que ameaçam a ordem estabelecida. Jesus entrega a vida para que a vida seja restaurada. Sua cruz revela a injustiça do poder e inaugura a esperança da ressurreição.

11. A Leitura Popular da Bíblia: ler com os olhos dos pobres

A Leitura Popular da Bíblia parte da experiência das comunidades. O povo lê a Palavra a partir de suas alegrias, sofrimentos, lutas e esperanças.

Ao ler Naum, as comunidades podem reconhecer as estruturas que continuam produzindo exclusão.

Ao ler Mateus, podem descobrir que o seguimento de Jesus exige compromisso com a transformação da realidade.

A leitura comunitária pode ser orientada por algumas perguntas:

  1. Quais formas de violência atingem hoje nossas comunidades?
  2. Quem são os pobres e excluídos que permanecem invisíveis?
  3. Quais estruturas funcionam como “Nínives” contemporâneas?
  4. Que privilégios precisamos abandonar para seguir Jesus?
  5. Que cruzes surgem como consequência da defesa da vida e da justiça?
  6. Como nossa comunidade pode transformar a fé em ação concreta?
  7. Que sinais de esperança já estão presentes entre os pobres?

A Palavra não deve permanecer apenas no estudo. Ela precisa tornar-se prática.

12. Dimensão sociotransformadora: da denúncia à construção do Reino

A articulação entre Naum e Mateus conduz a uma espiritualidade comprometida com a transformação social.

A denúncia profética deve ser acompanhada pelo anúncio de caminhos novos.

A Igreja é chamada a ser presença de esperança nas periferias, nos campos, nas comunidades tradicionais, nas prisões, nos territórios indígenas e nos lugares onde a dignidade humana é ameaçada.

Esse compromisso pode assumir diversas formas:

  • fortalecimento das pastorais sociais;
  • defesa dos direitos humanos;
  • apoio às comunidades em situação de vulnerabilidade;
  • combate ao racismo e à discriminação;
  • enfrentamento da violência contra as mulheres;
  • defesa dos povos indígenas e de seus territórios;
  • cuidado com a criação;
  • promoção da economia solidária;
  • participação responsável na vida pública;
  • formação bíblica e política das comunidades;
  • acolhida dos migrantes;
  • defesa do trabalho digno;
  • construção de redes de solidariedade.

A ação pastoral precisa unir espiritualidade e compromisso social.

Uma oração que não se transforma em solidariedade corre o risco de tornar-se evasão. Uma ação social sem espiritualidade pode perder a dimensão da esperança. A fé bíblica integra oração, comunidade, justiça e compromisso.

13. A Igreja chamada a caminhar com os crucificados da história

A Teologia Latino-Americana utiliza a expressão “crucificados da história” para falar daqueles que sofrem as consequências da pobreza, da violência e da exclusão.

Eles não são objetos de assistência. São sujeitos históricos e portadores de esperança.

A Igreja é chamada a caminhar com eles, aprender com suas experiências e reconhecer sua presença como lugar teológico.

Seguir Jesus significa aproximar-se dos que foram deixados à margem.

Não se trata de falar pelos pobres sem escutá-los. Trata-se de construir comunidades nas quais os pobres possam falar, participar, decidir e exercer seus ministérios.

A opção pelos pobres não é apenas uma atividade pastoral. É uma forma de compreender o Evangelho.

Jesus se aproxima dos pequenos, acolhe os excluídos e anuncia que o Reino pertence aos pobres.

Por isso, uma Igreja fiel ao Evangelho não pode permanecer indiferente diante das desigualdades.

Conclusão

Naum anuncia que Nínive não é eterna. Mateus proclama que a vida verdadeira nasce do seguimento de Jesus. O império procura conservar seu poder por meio da violência. Jesus entrega a vida por amor.

A cidade sanguinária produz cadáveres. O Reino de Deus promove vida.

A lógica do império acumula. A lógica do Evangelho partilha.

A lógica do império domina. A lógica de Jesus serve.

A lógica do império elimina. A lógica do Reino acolhe e restaura.

A Liturgia convida a comunidade cristã a escolher entre essas duas formas de viver.

Tomar a cruz não significa aceitar passivamente a injustiça. Significa permanecer fiel ao Evangelho quando a defesa da vida exige coragem, compromisso e resistência.

A esperança cristã não é espera passiva. É participação na transformação da história.

A queda de Nínive anuncia que os sistemas de opressão não possuem a última palavra. A cruz de Jesus revela que o amor pode enfrentar a violência sem reproduzir sua lógica. A ressurreição proclama que a vida é mais forte do que a morte.

Assim, a comunidade cristã é chamada a caminhar com os pobres, marginalizados e excluídos, tornando-se sinal do Reino de Deus no mundo.

Que a Palavra de Naum nos ajude a denunciar as estruturas que produzem morte.

Que o Evangelho de Mateus nos dê coragem para seguir Jesus.

E que nossas comunidades sejam espaços de acolhida, justiça, solidariedade e esperança, onde os crucificados da história possam experimentar sinais concretos de vida nova.

“Que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a própria vida?”

A resposta do Evangelho é clara: a vida se encontra quando é colocada a serviço do Reino, dos pobres e da construção de uma sociedade justa, fraterna e solidária.


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