“Maria e a dignidade” | Reflexão para a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, com Diácono Bernardo Rangel Tura

A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre a dignidade de cada pessoa. Se fomos criados à imagem e semelhança de Deus, não podemos desprezar uma pessoa e suas necessidades, pois nega-las seria desprezar o que é sagrado.

Na primeira leitura, vemos dois grandes sinais: a mulher grávida e o dragão. A primeira fraca e indefesa gera a vida, o segundo forte e poderoso deseja a morte. Ela não tem saída, mas Deus intercede por ela e por seu filho. Quem segue Jesus busca proteger a vida e por isso se compromete, ao mesmo tempo, com a mulher e o com o filho! Resta saber quem hoje em dia é o dragão e a mulher do apocalipse.

Na segunda leitura, Paulo nos fala sobre a esperança que surge da Ressurreição de Cristo e, de certa forma, explica o final da primeira leitura que clama: “Agora realizou-se a salvação”. A primícia de Cristo nos ensina que o agir na Terra se realiza na eternidade, que ao abrir a porta do Céu todos nos tornamos frutos de uma mesma colheita, resultado da Encarnação. Resta pensar se cuidamos da carne de Cristo nas mulheres perseguidas pelo dragão hoje?

No Evangelho, vemos um encontro maravilhoso: duas mulheres se encontram, duas gestações impossíveis, mas ambas são pessoas marcantes da Encarnação pela qual “vem a ressurreição dos mortos”. A mais velha enaltece a mais nova e proclama divindade de seu filho, a mais nova louva ao Pai e mostra o compromisso com a misericórdia e com os humildes e pobres. A Salvação se estende a todas as pessoas em todas as épocas, mas se incia entre as pessoas pequenas e fracas.

Quanto a nós, vamos a sair no mundo para proteger e vida e promover a dignidade humana — principalmente as das periferias sociais e existenciais —, buscar a paz e a justiça. Existem novos dragões terríveis, que precisam ser afastados com a escolha do diálogo amoroso e a amizade social. Precisamos acolher e incluir a todas as pessoas e restaurar a boa convivência com a mãe terra e seguirmos juntos com a mulher do apocalipse até a terra sem males.

A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.


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