“Quem faz parte do Povo de Deus?” | Reflexão para o 12º do Tempo Comum, com Diácono Bernardo Rangel Tura

A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre a natureza do “povo de Deus” e, ao contrário do que muitos pregam, isto não é composto de pessoas escolhidas por serem exemplares ou modelos da sociedade. O que caracteriza esta comunidade de Fé é a disposição de seguir com o Mestre e o profundo Amor que o Senhor tem pelos pequenos.

Na primeira leitura, vemos Moisés guiando um povo refugiado que fugia da opressão dos egípcios. Hoje em dia muitos diriam que eram invasores e que não deveriam ser acolhidos, mas o Pai age diferente e abraça como seu povo a descendência de 12 filhos de Jacó. Os que seriam considerados como resto pelo mundo atual foram considerados uma nação santa para Ele.

Na segunda leitura, Paulo nos lembra que quando éramos fracos, ímpios, pecadores e inimigos de Deus, fomos tão amados que Jesus levou o compromisso da Salvação ao extremo de sua morte. A dignidade humana é um valor absoluto e nunca retirado! Quem dera que o povo santo que segue Jesus assuma isso como verdade da mesma forma que Ele o fez.

No Evangelho, Jesus está num monte, diante de um povo perdido e excluído, mas Ele não os abandona. Muito pelo contrário, acolhe todos e os busca para seguir com Ele. São novos 12 filhos, uma nova nação santa, mas me chama atenção porque vários são questionáveis: pescadores, céticos, cobrador de impostos, intolerantes, guerrilheiro e um traidor! Entre os escolhidos há todo o tipo de gente, muitos que não seriam considerados santos ou dignos de frequentar as nossas comunidades de Fé, mas Deus nos ama e nos quer como somos.

Quanto a nós, vamos sair no mundo como uma nação santa de pessoas amadas por Deus, como aprendemos com Jesus. Vamos proteger toda a vida humana – começando pelas periferias sociais e existenciais –, promover a dignidade de todas as pessoas e construir uma sociedade com justiça e paz desarmada e desarmante. Vamos cultivar a amizade social e o diálogo amoroso e caminhar em harmonia com a mãe terra cuidando da casa comum, até o dia em que chegarmos na terra sem males.

A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.


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