O Discurso Escatológico de Jesus no Evangelho de Mateus (Mt 24 e 25): Esperança Ativa, Justiça e Compromisso com os pequenos!

Por Pe. Hermes A. Fernandes

Introdução

Os capítulos 24 e 25 do Evangelho de Mateus constituem o chamado Discurso Escatológico de Jesus, o último dos grandes discursos presentes na estrutura do primeiro Evangelho. O texto reúne palavras de Jesus sobre a destruição do Templo, as crises históricas, a perseguição aos discípulos, a vigilância, a responsabilidade diante do futuro e, finalmente, o julgamento.

Uma leitura superficial pode transformar esses capítulos em uma espécie de calendário sobre o fim do mundo. Ao longo da história, inclusive, determinados grupos cristãos utilizaram textos escatológicos para alimentar o medo, estabelecer datas para o fim dos tempos ou justificar uma espiritualidade de fuga da realidade. Entretanto, uma leitura exegética e contextualizada mostra que Mateus 24–25 possui outra finalidade. Jesus não pretende satisfazer a curiosidade sobre quando o mundo terminará, mas formar discípulos capazes de permanecer fiéis ao Reino em meio às crises da história.

O discurso deve ser compreendido no contexto da Palestina do primeiro século, marcada pela dominação romana, desigualdades sociais, conflitos políticos e religiosos e, posteriormente, pela destruição de Jerusalém e do Templo no ano 70 d.C. A comunidade mateana vive em um período de grandes transformações e precisa discernir como permanecer fiel ao Evangelho diante de um mundo ameaçado por violência, perseguição, falsos messianismos e injustiças.

Lido à luz da Teologia Latino-Americana e da experiência das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), Mateus 24–25 apresenta uma escatologia que não aliena o cristão da história. Ao contrário, anuncia que Deus é Senhor da história e convoca seus discípulos a permanecerem vigilantes, solidários e comprometidos com a vida, especialmente com os pobres, marginalizados e excluídos.

1. A destruição do Templo e um mundo em crise (Mt 24,1-2)

O discurso começa quando Jesus sai do Templo. Os discípulos chamam sua atenção para a grandiosidade das construções. Jesus responde de maneira surpreendente: “Não ficará aqui pedra sobre pedra: tudo será destruído.”

A afirmação possui forte dimensão histórica. O Templo de Jerusalém era o centro religioso, político, econômico e simbólico da sociedade judaica. Sua destruição significava uma verdadeira ruptura de mundo.

Mateus escreve em um período posterior à destruição de Jerusalém pelos romanos, no ano 70. A comunidade cristã conhecia, portanto, a experiência de uma cidade devastada, de pessoas mortas ou deslocadas e de instituições profundamente abaladas.

O texto ensina que nenhuma realidade histórica é absoluta. Construções humanas, sistemas políticos, instituições econômicas e estruturas de poder podem parecer eternas, mas não são.

Essa perspectiva possui grande atualidade. Também hoje existem estruturas que parecem indestrutíveis: sistemas econômicos que produzem desigualdade, formas de concentração da terra e da riqueza, estruturas de violência, racismo, exclusão e destruição ambiental.

A escatologia bíblica recorda que nenhuma estrutura histórica possui a última palavra. A última palavra pertence a Deus e à vida.

Para as CEBs, essa consciência é importante porque impede que a comunidade aceite a realidade injusta como algo inevitável. O Reino de Deus abre possibilidades históricas novas.

2. “Cuidado para que ninguém vos engane”: discernir os falsos messianismos (Mt 24,3-14)

Os discípulos perguntam a Jesus quando essas coisas acontecerão e qual será o sinal de sua vinda e do fim dos tempos (Mt 24,3).

A resposta começa com uma advertência: “Cuidado para que ninguém vos engane.”

Jesus menciona falsos messias, guerras, rumores de guerras, conflitos entre povos, fome, terremotos e perseguições. Porém, afirma que tudo isso será apenas o “começo das dores” (Mt 24,8).

O texto não apresenta guerras e catástrofes como sinais matemáticos que permitam calcular a data do fim. A intenção é preparar os discípulos para permanecerem firmes diante de situações de crise.

Há também uma advertência contra a interpretação simplista da história. Nem toda crise é automaticamente sinal de que o fim chegou. A comunidade precisa discernir.

A Teologia Latino-Americana oferece aqui uma contribuição importante: discernir os sinais dos tempos significa aprender a ler a realidade a partir dos pobres.

Uma crise econômica pode significar coisas diferentes para banqueiros e para trabalhadores desempregados. Uma guerra pode ser percebida de maneira diferente por governantes e por famílias que perdem seus filhos. Uma catástrofe ambiental pode representar prejuízos econômicos para alguns e perda da própria casa e território para comunidades pobres.

A leitura cristã da história precisa perguntar: quem está sofrendo? Quem se beneficia? Quais estruturas produzem esse sofrimento?

3. “Quem perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,9-14)

Jesus anuncia que os discípulos serão perseguidos, odiados e entregues à tribulação. Ao mesmo tempo, fala de traições, esfriamento do amor e falsos profetas. Mas aparece uma afirmação fundamental: “Quem perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13).

A perseverança cristã não é passividade. Não significa suportar injustiças sem reação. É a capacidade de permanecer fiel ao Evangelho quando as circunstâncias se tornam difíceis.

O versículo 14 acrescenta: “E esta Boa Notícia sobre Reino será anunciada pelo mundo inteiro, como testemunho a todas as nações. Então chegará o fim.”

O anúncio do Evangelho aparece ligado ao testemunho. A comunidade não é chamada apenas a falar sobre Jesus, mas a tornar visível sua proposta.

Para as CEBs, isso significa que evangelizar é também testemunhar concretamente o Reino: organizar a solidariedade, defender os Direitos Humanos, combater a fome, cuidar da Criação, proteger os vulneráveis e construir relações de fraternidade.

4. A “abominação da desolação”: quando o poder produz destruição (Mt 24,15-28)

Mateus utiliza uma linguagem apocalíptica ao mencionar a “abominação da desolação” anunciada pelo profeta Daniel. O texto está relacionado à experiência de profanação do lugar sagrado e às situações de guerra e destruição.

Jesus alerta para uma grande tribulação e recomenda prudência aos seus discípulos. Mais uma vez, não encontramos uma descrição jornalística do futuro, mas uma linguagem simbólica utilizada para interpretar uma realidade de sofrimento. O texto nasce de comunidades que conhecem a violência imperial e a insegurança.

A hermenêutica latino-americana permite atualizar essa linguagem. Há lugares onde a “desolação” se manifesta na fome, nas periferias dominadas pela violência, nos territórios indígenas ameaçados, nos campos marcados pela concentração fundiária, nas prisões superlotadas e nas populações atingidas pela destruição ambiental.

A escatologia cristã não pode ser utilizada para explicar o sofrimento dos pobres como simples “sinais do fim”. Ela deve levar a comunidade a perguntar: o que estamos fazendo diante da desolação?

5. A vinda do Filho do Homem (Mt 24,29-31)

Depois da tribulação, Jesus fala da manifestação do Filho do Homem “com poder e grande glória”. A linguagem é profundamente simbólica e possui raízes na literatura apocalíptica judaica, especialmente na tradição de Daniel. O “Filho do Homem” representa a intervenção definitiva de Deus e a vitória de seu projeto sobre as forças que produzem injustiça.

A esperança escatológica não significa que o sofrimento seja eterno. O mal não terá a palavra final. Essa afirmação é particularmente significativa para os pobres. Muitas vezes, os sistemas sociais parecem dizer que determinadas pessoas nasceram para sofrer. A escatologia cristã responde que a realidade atual não é definitiva.

A esperança bíblica é, portanto, subversiva diante da injustiça. Ela anuncia que Deus fará justiça e, por isso mesmo, encoraja os discípulos a anteciparem essa justiça na história.

6. A figueira: aprender a interpretar os sinais (Mt 24,32-35)

Jesus apresenta a imagem da figueira: “Quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está próximo.”

A imagem ensina discernimento. Assim como os sinais da natureza indicam a proximidade de uma estação, também os acontecimentos históricos exigem interpretação.

A fé cristã não pode ser indiferente à realidade.

As CEBs possuem aqui uma tarefa fundamental: ler a realidade à luz da Palavra e ler a Palavra a partir da realidade.

Uma comunidade que se reúne para estudar a Bíblia e não percebe a fome das famílias do seu território ainda não compreendeu plenamente o sentido da Palavra.

A Bíblia forma discípulos capazes de discernir os sinais de Deus na história.

7. “Quanto ao dia e à hora, ninguém sabe” (Mt 24,36-44)

A partir do versículo 36, Jesus insiste que ninguém conhece o dia e a hora.

A comparação com os dias de Noé reforça a ideia de que o acontecimento será inesperado. Por isso, Jesus conclui: “Vigiai, portanto.”

Vigiar não significa viver aterrorizado esperando uma catástrofe. Significa viver responsavelmente o presente.

A vigilância cristã é uma espiritualidade de atenção. O discípulo está atento à presença de Deus, às necessidades dos outros e às possibilidades de servir.

Para as CEBs, vigiar significa perceber quem está chegando à comunidade com fome, quem está sendo ameaçado, quem perdeu o emprego, quem precisa de apoio, quem sofre violência e quem está sendo excluído.

A pessoa vigilante não espera o fim do mundo; ela trabalha para que o mundo seja mais humano.

8. O servo fiel e prudente: responsabilidade e serviço (Mt 24,45-51)

Jesus conta a história de um servo colocado pelo senhor para cuidar dos demais trabalhadores. O servo fiel é aquele que continua cumprindo sua missão mesmo quando o senhor está ausente.

O contraste é com o servo que utiliza sua posição para maltratar os outros.

A parábola apresenta uma crítica profunda ao exercício irresponsável da autoridade.

Toda liderança cristã deve ser compreendida como serviço, não como privilégio.

Essa perspectiva é especialmente importante para a Igreja. Ministros Ordenados, agentes de pastoral, coordenadores e lideranças comunitárias recebem responsabilidades para cuidar das pessoas, não para dominar sobre elas.

A liderança que utiliza sua função para humilhar, controlar ou explorar contradiz a lógica do Reino.

Nas CEBs, a autoridade precisa ser participativa, comunitária e orientada para o serviço.

9. As dez virgens: vigilância e responsabilidade (Mt 25,1-13)

Mateus 25 inicia com a parábola das dez virgens. Cinco são prudentes e levam óleo consigo; cinco são imprudentes e não se preparam.

O ponto central não é estabelecer uma fórmula sobre o fim dos tempos, mas enfatizar a necessidade de preparação e vigilância.

A parábola contém a conhecida advertência: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora.”

A preparação não pode ser transferida para outra pessoa. Cada discípulo é responsável pela própria resposta ao Reino.

Uma comunidade cristã também precisa estar preparada para responder aos desafios de seu tempo.

Não basta ter estruturas, templos e programas pastorais. É preciso possuir uma espiritualidade capaz de responder às necessidades concretas da história.

A Igreja que não se prepara para enfrentar a fome, a violência, a crise ambiental, a exclusão social e o sofrimento dos migrantes corre o risco de possuir lâmpadas sem óleo.

10. Os talentos: dons colocados a serviço do bem comum (Mt 25,14-30)

A parábola dos talentos apresenta três servos que recebem quantidades diferentes de bens. Dois deles colocam os recursos em movimento; o terceiro os enterra.

O texto é frequentemente interpretado de maneira individualista, como se ensinasse simplesmente a “fazer render os talentos pessoais”. Entretanto, no contexto do discurso, a questão central é a responsabilidade diante daquilo que Deus confia aos seus discípulos.

A expressão “talento” originalmente se refere a uma grande unidade monetária. A leitura moderna que transforma o termo em sinônimo de “habilidade pessoal” é posterior.

O princípio fundamental permanece: aquilo que recebemos deve produzir frutos.

Para uma leitura latino-americana, os talentos não podem ser compreendidos apenas como propriedades privadas. Os dons, capacidades, recursos, conhecimentos e bens possuem uma dimensão social.

Uma comunidade deve perguntar:

  • Como colocamos nossos dons a serviço dos pobres?
  • Como utilizamos nossos recursos?
  • Como compartilhamos nossos conhecimentos?
  • Como fortalecemos a participação dos pequenos?
  • Como transformamos nossas capacidades em serviço à vida?

Enterrar o talento pode significar também fechar-se no individualismo.

A fé madura coloca dons pessoais e comunitários a serviço do bem comum.

11. O julgamento das nações: “Eu tive fome e me destes de comer” (Mt 25,31-46)

Chegamos ao ponto culminante de Mateus 24–25.

Jesus apresenta o Filho do Homem sentado no trono e separando as pessoas como um pastor separa ovelhas e cabritos.

O critério do julgamento é surpreendente. Jesus não pergunta sobre prestígio religioso, riqueza, poder ou posição social. Pergunta: “Eu tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era estrangeiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; estava na prisão, e fostes visitar-me”?

E então vem a afirmação decisiva: “Todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes.”

Aqui está o centro teológico de todo o discurso. O Cristo ressuscitado identifica-se com os pequenos.

A presença de Jesus não está apenas no espaço cultual. Ele está presente no faminto, no sedento, no estrangeiro, no doente, no preso e em todos os vulneráveis.

Por isso, Mateus 25 constitui uma das bases mais fortes de uma espiritualidade cristã comprometida com a transformação social.

A relação com Cristo passa necessariamente pela relação com os pequenos.

12. Mateus 25 e a opção pelos pobres na Teologia Latino-Americana

A Teologia Latino-Americana encontrou em textos como Mateus 25 uma fundamentação bíblica para compreender a opção preferencial pelos pobres como dimensão constitutiva da missão cristã.

A opção preferencial pelos pobres não significa considerar que Deus ame somente aos pobres. Significa reconhecer que, diante de uma sociedade desigual, Deus assume uma posição de defesa daqueles cuja dignidade está sendo negada.

O pobre deixa de ser mero objeto de caridade e passa a ser reconhecido como sujeito histórico e teológico. Essa perspectiva transforma a ação pastoral.

Não basta oferecer alimentos aos famintos, embora isso seja indispensável. É preciso perguntar por que existem pessoas passando fome.

Não basta visitar pessoas presas. É preciso questionar sistemas que produzem encarceramento de forma desumana, violência e exclusão.

Não basta acolher migrantes. É preciso enfrentar as causas que produzem migração forçada.

Não basta ajudar pessoas sem moradia. É necessário discutir o direito à habitação e as estruturas econômicas que produzem a exclusão.

A caridade cristã precisa caminhar junto com a justiça.

13. As Comunidades Eclesiais de Base diante de Mateus 24–25

As CEBs podem encontrar nesses capítulos um verdadeiro programa de espiritualidade e ação pastoral.

1. Vigiar a realidade

A comunidade deve aprender a perceber os sinais de sofrimento e esperança presentes em seu território.

2. Formar consciência crítica

A leitura da Bíblia deve ajudar a identificar as causas sociais, econômicas e políticas das situações de exclusão.

3. Organizar a solidariedade

Diante da fome e da pobreza, a comunidade deve promover ações concretas de partilha e cuidado.

4. Defender os direitos

O compromisso cristão não termina na assistência. É necessário atuar na defesa dos direitos sociais, da dignidade humana e do bem comum.

5. Acolher os estrangeiros

Migrantes, refugiados e pessoas deslocadas devem encontrar na comunidade um espaço de acolhida e fraternidade.

6. Cuidar dos enfermos

A comunidade deve acompanhar pessoas doentes, famílias fragilizadas e idosos, fortalecendo redes de cuidado.

7. Visitar e reintegrar

Aqueles que estão presos ou marginalizados precisam ser tratados como pessoas cuja dignidade permanece intacta.

8. Cuidar da Casa Comum

A crise ambiental deve ser compreendida como uma questão social e espiritual, porque seus efeitos recaem de modo particularmente intenso sobre os pobres.

9. Formar lideranças servidoras

As lideranças devem exercer autoridade como serviço, evitando autoritarismo, clericalismo e concentração de poder.

10. Celebrar a esperança

A comunidade deve celebrar a certeza de que a injustiça não terá a última palavra e, a partir dessa esperança, continuar trabalhando pela transformação da realidade.

14. Uma escatologia que transforma o presente

O maior risco de uma interpretação equivocada de Mateus 24–25 é utilizar a escatologia para fugir da história.

Jesus, porém, faz exatamente o contrário.

Ele fala do futuro para transformar o presente.

A expectativa do Reino não paralisa. Ela mobiliza.

Quem acredita que Deus fará justiça é chamado a praticar a justiça. Quem espera o Reino deve começar a construir sinais desse Reino. Quem espera a vida plena deve defender a vida ameaçada.

A escatologia cristã é, portanto, uma esperança ativa.

Ela impede tanto o desespero quanto a acomodação. O desespero afirma que nada pode mudar. A acomodação afirma que não é preciso fazer nada. A esperança cristã afirma: Deus está conduzindo a história para a plenitude, e nós somos chamados a participar dessa construção.

Essa perspectiva é particularmente importante para as CEBs. Comunidades pobres enfrentam muitas vezes situações nas quais a mudança parece impossível. A Palavra de Deus alimenta uma esperança que se transforma em organização, solidariedade e resistência.

Conclusão

O Discurso Escatológico de Jesus em Mateus 24–25 não deve ser lido como um manual para prever o fim do mundo. Ele é, antes de tudo, um chamado à vigilância, à perseverança, à responsabilidade e ao compromisso com o Reino de Deus.

Jesus fala de crises, guerras, perseguições e destruições, mas não para alimentar o medo.

Fala para fortalecer uma comunidade chamada a permanecer fiel.
Fala da vigilância para ensinar responsabilidade.
Fala dos talentos para recordar que os dons devem produzir frutos.
Fala das virgens para ensinar que não se pode adiar indefinidamente a decisão pelo Reino.

E culmina no julgamento das nações, revelando o critério definitivo da vida cristã: a relação concreta com os pequenos.

“Eu tive fome e me destes de comer” não é apenas uma recomendação de caridade. É uma revelação sobre o próprio Cristo. Jesus encontra-se no rosto daqueles que a sociedade frequentemente invisibiliza.

Por isso, Mateus 24–25 possui enorme força para a realidade latino-americana. Em um continente marcado por desigualdades, pobreza, violência, concentração de riquezas, migrações, racismo, exclusão e destruição ambiental, a comunidade cristã é chamada a permanecer acordada.

As CEBs podem ser lugares onde essa vigilância se transforma em compromisso: ler a realidade, escutar a Palavra, organizar a solidariedade, defender os pobres, cuidar dos vulneráveis, denunciar as estruturas de morte e construir alternativas de vida.

A pergunta fundamental de Mateus 25 não é “quando será o fim?”. A pergunta é muito mais exigente: o que estamos fazendo hoje diante daquele que tem fome, sede, está sem casa, é estrangeiro, está doente ou se encontra preso?

A resposta a essa pergunta revela nossa compreensão do Evangelho.

Porque, segundo Jesus, toda vez que tocamos a vida dos pequenos com misericórdia, justiça e solidariedade, encontramos o próprio Cristo.

E toda vez que uma comunidade se coloca ao lado dos pobres, luta pela dignidade humana e transforma a esperança em compromisso, ela antecipa, no coração da história, os sinais do Reino que há de vir.


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