A Palavra de Deus nos chama a refletir sobre o que significa ouvir a Palavra e quais as consequências desta escuta. Precisamos entender que a Palavra deve chegar em nosso coração e produzir frutos de mudança e transformação da realidade.
Na primeira leitura, Jeremias afirma ter sido seduzido por Deus e isso traz consequências: ele não pode mais se calar frente ao mal. Esta postura não lhe garante uma vida tranquila, pelo contrário ele sente muitas dificuldades e sofrimentos, mas sabe que não está sozinho.
Na segunda leitura, Paulo nos chama para uma postura semelhante, porém ainda mais radical e mais difícil. Não basta denunciar o erro, é preciso mudar o mundo que vivemos. Achei interessante observar que a mudança deve ser guiada pelo que Jesus nos ensinou e que é um chamado à comunidade e não a uma pessoa isolada. A verdadeira ação transformadora é da comunidade que segue com Jesus e não uma ação individualista.
No Evangelho, Jesus anuncia o custo de seu compromisso com a nossa Salvação e a extrema reação ao mesmo. Neste sentido “ser morto” deve ser ouvido com cuidado, pois mostra que é algo não desejado pelo Pai! A morte nunca faz parte do plano de Deus! Pedro preso na visão triunfalista do Salvador não aceita o anúncio e fica perturbado, Jesus mostra que a busca pelo poder e vitória é “pedra de tropeço” e nos chama a ganhar a vida nos comprometendo em transformar o mundo, terminando com toda forma de injustiça e opressão e que esta conduta não será esquecida.
Quanto a nós, vamos a sair no mundo para transformá-lo e criar uma nova sociedade comprometida com a dignidade e a vida — começando nas periferias sociais e existenciais —, onde reine a paz e a justiça social com o diálogo amoroso e a inclusão radical. Vamos recriar a harmonia com a casa comum e com toda a criação, corrigir todas as estruturas de injustiças para sermos agradáveis a Deus. Será uma caminhada difícil, mas valerá quando chegarmos na terra sem males.
A todas as pessoas a quem esta mensagem chegar,
Beijos e bênçãos,
Diácono Bernardo Tura
Médico, Diácono incardinado na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, esposo da Mônica.
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